Kerouac Vs o Existencialismo

Ver a vida passar diante do nariz. É isso que a maioria das pessoas costumam fazer em seus cotidianos lentos e melancólicos. No inverno, os rostos e as felicidades são diminuídas pelas necessidade de se ver constantemente e além disso, sempre abrigados em algum lugar que não seja lá fora. Meu Deus!!! A cada segundo eu me imagino terrivelmente longe de qualquer pessoa e no momento seguinte, uma dor silenciosa e cheia de vazios me faz temer a solidão. Olho para o caminho e não vejo absolutamente nada. Há uma luminosidade opaca que impede qualquer coerência em termos de forma ou expressão. Sinto-me obrigado a dar passos a diante, como se estivesse impelido por uma força que vai além da minha própria vontade. É uma espécie de caos que me abraça e roça a noite fria em minhas orelhas. Porém meu pé soluça pela estrada sem muito vigor ou coragem para reagir aos obstáculos.

A alma parece chorar copiosamente, escapando aos meus dedos e espalhando-se pelo chão amargo da existência. As palavras que rolam pelo papel são vis e mal-educadas, não querem exatidão, muito menos razão. Preferem a ofensa e o mal-dizer. Xingam quaisquer olhos que as visualizem. Odeia a rítmica e a métrica, deixa-as ocultas na inversão de suas pretensões.

Quando se faz um ensaio sobre o que não pode ser dito é preciso deixar bem claro para seus olhos que não há possibilidade alguma de se encontrar uma verdade por trás do desejo de agir ou viver. Aqueles que se esfacelaram acabaram se deparando com obstruções que comiam-lhes a mais sagrada de todas as fronteiras – a desrazão. Esses, tal como eu, não souberam precisar qualquer natureza que possa explicar a grandeza e a pequenez da alma e do homem. Fico repartido em dúvidas sobre como adquirir menos inércia e repetição se a minha vontade própria prefere sonhar com o movimento a realizar timidamente seus feitos.

O mundo podia acontecer de uma hora para a outra!

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