Kerouac Vs Monroe

Durante a guerra, muitas esposas ficaram expostas aos garanhões alheios. Na Califórnia, centenas de comunidades tinham na força feminina a principal potência de trabalho. Neal não tinha muito critério para escolher suas vítimas, era um verdadeiro safado que adorava se lambuzar com louras, pretas, branquelas e tudo mais que aparecesse na frente do seu tesão. Todavia a maior de todas, ou melhor, a mais deslunbrante e encantadora de todas esfacelou o coraçãozinho do rapaz e ainda veio correndo para o meu lado.

Estávamos descendo de Cisco e paramos em uma dessas cidadezinhas com operárias trabalhando no lugar de homens. A época era dura e quem não estivesse na lide podia muito bem ser acusada de antipatriota. Já era bem tarde, entramos numa bodega e pedimos um whisky. A noite parecia prometer, a música nem era tão boa, mas o lugar estava infestado de xoxotas. Ficamos um pouco espantados, mas logo logo nos informaram do fato: depois de dias de muita dureza, finalmente, as moças foram dispensadas do serviço. Uma espécie de folga coletiva. Aquelas que respeitavam seus esposos-guerreiros, foram para casa; as que ainda tinham algum fogo para gastar, estavam ali.

Norma Jean era uma morena com um baita trazeiro e uma voz alucinada que fazia qualquer um ficar de quatro. Neal não se segurou muito tempo no lugar e foi logo enviando uma dose para a garota. Sem pensar muito, ela acabou se sentando conosco. Diferente da maioria, Jean fumava como uma chaminé e adorava falar besteiras. Era de Los Angeles e havia se casado há pouco tempo com um cara que fora mandado para o Pacífico Sul. Sentia saudades do rapaz, mas também gostava da liberdade que tinha adquirido em Burbank. Não é lá uma maravilha para uma garota casada e cheia de disposição, mas pelo menos a gente pode rir com esses caipiras, dizia ela em meio ao álcool e sorrisos.

Neal escorregava suas pernas para encostar nos belos pares de coxa de Jean, mas a menina não parecia muito satisfeita com aquela iniciativa. Fugia a todo momento das perseguições e indagações maliciosas do meu camarada. Eu, na minha, continuava a observá-la em toda a sua volúpia.

– Sabe, Jack – disse se apoximando perigosamente da minha boca, recebi uma proposta para tirar umas fotos, o que você acha? Será que eu tenho chances…

Constrangido e louco de tesão, verifiquei se Neal ainda estava no banheiro e mandei uma direta para Norma:

– Garota, eu não te conheço, não sei de quem é o nome que esta na sua aliança, mas juro que você é a mais indicada para ser escolhida. Aliás, se você quiser fazer um ensaio só para mim e meu amigo, tenho certeza que iremos aprovar ainda mais a idéia de você virar modelo.

Seu riso não foi nem um pouco perigoso. Pelo contrário, promissor. Ainda assim, fechou sua feição, deixando-me ainda mais envergonhado com o que dissera. Quando meu chapa voltou, ela estava para iniciar sua resposta, interrompeu o raciocínio, mas não deixou de dar o seu recado:

– Ei, cawboy, olhou diretamente para meus olhos, mas estava falando com ele, por que você não pega mais umas doses no balcão, tenho algumas coisinhas para falar com o seu amigo Jack.

Sem entender nada, Neal abriu os braços e voltou seu passo para o balcão da espelunca. Meu rosto devia estar no mais alto grau de vermelhidão, pois sentia muito calor naquele momento. Não só pela garota, mas também pelo meu parceiro que iria passar a noite sentindo frio, enquanto eu me aqueceria com aquela beldade. Bom, seria assim se não fosse pela briga que o barman arrumou com ele. Acho que já estava desconfiando da coisa e não quis sair dali derrotado. Sabia que eu entraria em qualquer uma por ele e claro, qualquer briga afastaria a garota da gente.

Não deu outra, fomos escurraçados do lugar com vários ferimentos e Norma Jean não se prestou nem para nos ajudar com os corativos. Continuou no bar e deu as costas para os dois estranhos. Na mesma noite, ainda tive tempo para sonhar com aquela mulher. Entretanto, no sonho, algo me intrigou de verdade. Ao invés de estar com os cabelos negros, Norma Jean estava completamente loura, ainda mais ardente e sedutora. Nunca mais esqueci aquela noite, principalmente a parte em que eu não estava acordado.

2 comentários sobre “Kerouac Vs Monroe

  1. “Por que eu estava com fome!”
    Marilyn em resposta provocante a um jornalista que quis saber porque ela tinha pousado nua antes da fama por 50 dólares.

    Gostei do seu blog! Marilyn é uma realidade altamente fantasiosa, né?!

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