Kerouac Vs o Paradoxo

Estava zonzo, meu corpo foi erguido e momentos depois minha cabeça. Quando consegui me apoiar na posição que nos distingue dos demais, ereto, minha mente parecia badalar dentro de meu crânio,  uma dor impressionante e que me ameaçava os movimentos. Era um passo embaixo e uma fisgada em cima. Aihhh, gritei. Claro, a dor aumentou! Concentrei meu pensamento no vazio, convenci-me que não havia o que vomitar e esperei paciente o incômodo da carne deixar meu espírito. Finalmente, consegui me arrastar ao banheiro e lavei meu rosto e mijei meio torto sobre a privada semi descoberta. Olhei meu reflexo no espelho e não parecia me lembrar daquela cara… ha ha ha. Pelo contrário, era a cara que eu encontrava no espelho em todas as manhãs dos últimos tempos.

Alguma coisa me dizia que tudo aquilo ali estava certo, mas que não era essa a minha maneira de entrar na vida. Muitos não percebiam o valor real de toda a transcendência e paralisação do homem, operário, crente, massa, um indivíduo sem rosto ou formato, condicionado pelos meios de comunicação, pelo cinema, pelo rádio e por pessoas que tentam separar pessoas, mas usam a máscara de uma bondade. Elas acabam sempre nos deixando sem graça de sermos nós mesmos. E o pior dessa história é que ela ocorre em ambientes e graus diferentes. Os  enrolados pela vozeirada dos homens em palquinhos estão em todos os lugares, seja nas igrejas, nas associações, nos governos e até mesmo. na ciência. Em todo canto existe alguém querendo contar a melhor história para os outros.  O mais infeliz de tudo é que são apenas estórias, na realidade, quando chegam ao poder, raros são só que pensam no equilíbrio como forma de caminho. A maioria desequilibra a balança pensando a seu favor e a de seus aliados econômicos, políticos, militares, científicos e o que for. Até mesmo esportivo! Tenho certeza que muitas vitórias e alguns títulos são presentes caros e negócios certeiros. Quem sabe todo esse esplendor em torno do resultado, do orgulho da vitória, do prazer do triunfo, quem sabe tudo isso não passe de um sentimento  motivado por uma encenação. O resultado do jogo já estava sendo decidido no jantar da noite anterior e não era só grana que poderia rolar, ela era a principal dama, mas ali estavam disputas muito maiores e complexos do que entre simples apostadores.

Na cozinha, uma linda garota preparava ovos, o cheiro desagradou meu estômago e tive que me retirar rapidamente. Depois soube que esta era Carolina, uma produtora de arte brasileira,  companhia de Jake Drefus. Voltei a sala e encontrei Mike e Sho conversando sobre o fim do mundo. O primeiro, americano, bastante racional, pensa em um mundo tecnológico e eficiente, onde o metal e a música seriam as únicas leis. Sho, estudante meio russo, meio hindu. filho d e indianos ricos da Inglaterra, acreditava que haveria um colapso sanguinolento em um determinado tempo. Suas informações diziam que o homem iria chegar a um tal grau de cegueira que suas ações imperialistas e totalitárias acabariam por fazer boa parte do trabalho. Sho ainda nos disse que tudo também decorria da falta de consciência do homem diante a beleza e a exuberância da natureza. Nós precisamos de sua energia muito mais do que petróleo para os carros ou simplesmente verdura para o estômago. A nossa relação com os bens naturais era o que mais puros poderíamos fazer nesse mundo. Todavia com a corrupção da alma, o homem passou a querer controlar os terrenos para construírem seus desejos. Hoje, disse o cara, ainda dá para fazer alguma coisa, mas daqui três, quatro décadas a quantidade de lixo que o homem produzirá transformará suas suntuosas cidades transformadas em verdadeiros lixões. Fora o ar, contaminado por diversas bactérias atômicas, sufocando as populações aos poucos, injetando em seus organismos muito mais do que oxigênio. Para nosso amigo russo hindu, o próprio homem seria um dos pilares da decadência, mas não o único. Continuou dizendo que poderíamos fazer escolhas certas que nos livrariam de alguns malefícios, porém, já havia alguns difíceis de serem evitados, principalmente os que vêm do alto, da terra ou do mar. Entretanto, queimadas, poluição em rios, melhor aproveitamento dos alimentos e uma qualidade de vida melhor poderiam ser alcançadas se tivéssemos consciência dessa relação intrínseca entre nossas atitudes e os revezes da natureza.

Claro que não concordo nem com um, muito menos com o outro. Para mim o mundo nunca irá acabar e mesmo se por acaso a nave planetária explodir ou se inundar, é bem provável que a minha mente continue voando por aí, um pouco mais livre e intangível.

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