Kerouac Vs o Feminino

Existe um tipo de sol que cega. Ele é perfeito, flamejante e intenso, claro, muito claro, um luar ensolarado, com seu foco disposto a iludir imagens. As emoções neste tipo de verão tropical estão de garras expostas e laceram qualquer tipo de moral. Minha vida nas últimas três semanas se tornou um verdadeiro barril de pensamentos, atos, sentimentos intensos e vociferados, tímidos e temerosos, um caldeirão profano e cristão, alquimia de paradoxos.

O último ritual católico a ser realizado no ano se chama “Folia de Reis” e se estende até o dia 06 de janeiro. Época em que os três reis-magos chegaram à manjedoura e entregaram suas oferendas ao novo avatar da Terra. Entretanto, no meio disso tudo, exatamente no meio, entre o natal e o dia dos magos, existe um ritual pagão! O ano novo é um ritual moderno, criado pela burguesia e os homens de negócio. As pessoas se abraçam e agradecem/pedem ao destino pela boa realização. 9…8…7…4…3…2…1…Feliz 1950! Putaquepariu! Me dá o que é meu Demiurgo filho da puta!

A neve que bate na janela me faz pensar em crimes hediondos contra São Pedro. Janeiro é um mês verdadeiramente chato e o frio e o gelado faz com que tudo fique profundamente chato, inclusive eu. Minha boca se expressa em chatidão e meus diálogos terminam em intermináveis monólogos, minha libido se dispara e não consigo pensar em outra coisa a não ser seduzir aquelas que poderão, enfim, se tornar o amor da minha vida. O ideal romântico nunca deixou de ser um propósito para o meu espírito. Na verdade, só cometo atrocidades sociais por que creio nesse retorno. Em cada rosto, a expectativa de encontrar O anjo que irá me conduzir em êxtase à porta do paraíso terrestre – caralho, eu procuro a minha mãe! Porém, quem é minha mãe, quem são meus irmãos?

Mas as mulheres do meu tempo custam a querer se diferenciar. Entram nesta vida empenhadas em serem como suas mães, a temerem seus pais e se tornarem vítimas da própria culpa e desmobilização. Seu pavor diante a agressividade paterna e a potência de Deus fazem de suas saias um baluarte de mentiras, repressões e loucuras. Não conheço uma que seja sensata e amável ao mesmo tempo. Ou são sensatas e não crêem no amor, ou amam e se entopem de histeria. As que despertam não aguentam o tranco da sociedade em cima de seu pensamento mono tonal moralista de categoria duvidosa e que deveria ter ficado na história dos anos 30. As putas tias invejosas que pousam em janelas de vil, debruçam seu veneno sobre as jovens em um ritual iniciado há milhares de séculos: As frases não variam muito do: ela deu a buceta/ela gosta de dar a buceta/ela quer dar a buceta – estas sentenças sinceras são traduzidas em um sadismo comunitário cotidiano que pune tanto quem se prostitui, quem se esbalda e até quem realmente tem a mente ligada em outra vibração (existe? hehehe nem no convento!).

Realmente reconheço que o universo feminino está em expansão e muito mais do que queimar sutiãs ou trabalhar, haverá um tempo em que seu poder divino fará a diferença. A mulher foi talhada a terra, a Deusa soprou a beleza por todos os poros possíveis do feminino. Ela está além do homem, do macho com colhões e mais nada, com virilidade e só! As pessoas se casam sem se gostarem! Em 1950 nos Estados Unidos, pobres e a classe média costumam casar por amor/paixão. A maioria de quem manda na América se arranja por posição e/ou dinheiro para a família. E tudo fica nessa grande hipocrisia velada!

Na noite do ano novo conheci um anjo. Ela sabia tudo de astrologia e de mim. Ela me indicou que 1950 será o ano de Vênus, na Era de Vênus e que eu vou me dar bem com isso, pois minha alma é protegida pela grande Mãe, há um pedaço dela que é feito do puro feminino, brotado da pureza da terra. Não é a toa que meus olhos perseguem tanto aquelas curvas, não é a toa que as flores são tão atraentes e seu perfume me corrompe zonzo e sem destino! Sei que não será ela que me apresentará o jardim celestial, porém para alcançar a princesa que me espera na grande árvore  será necessário romper as portas do caminho e traçar novas relações.

Rodamos em círculos que sobem, passamos pelos mesmos pontos, mas nunca no mesmo momento – Mutação!

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