Let It Beatnik

Este projeto teve início na blogosfera em meados de abril de 2008. Seus primeiros 27 capítulos foram postados originalmente em Indies.blog.com. Entretanto, tendo em vista a precariedade da ferramenta e a necessidade de fornecer maiores informações sobre o projeto, nosso objeto e homenageado, Jack Kerouac, pesquisamos um novo endereço e nova ferramenta web.

Agora aqui estamos! JacKerouac.wordpress.com (agora somos JacKerouac.com)

A série “Versus”  faz parte do projeto Let it Beatnik, tentativa de ampliar ainda mais o resgate do verdadeiro espírito beat, muito além dos estereótipos midiáticos e temporais. Nesta série de “encontros”, o rei dos beatniks Jack Kerouac relata seu envolvimento subjetivo, onírico ou mesmo racional, com avatares da cultura da liberdade criativa da “geração perdida”, dos existencialistas franceses, dos poetas, artistas marginalizados, amantes e adoradores do jazz e das artes, das experimentações, dos jovens que vieram com uma nova mensagem no Pós – II Guerra e outros tantos, de todos os tempos, mas que marcaram a cultura global no compasso do beatífico, como Kerouac pode visualizar em determinados momentos iluminados de sua trajetória.

Versus é atemporal, não seguindo racionalmente uma ordem cronológica datando sistematicamente os encontros. Seu agrupamento se realiza de forma espontânea, surgindo a cada capítulo uma nova emoção desordenada e vivida pelo autor, pesquisada nos livros, nas biografias de Kerouac, em seus diários, nos jornais da época. A procura também se faz em relação aos co-participantes deste encontro, aos momentos históricos vividos em todo o globo. Versus trabalha sua narrativa de forma pessoal e subjetiva, induzindo ao leitor que há ali um texto original de Kerouac. Ou que pelo menos, seria algo parecido com ele que estaria falando. Obviamente, a qualidade do trabalho não deve ser concebida em função de uma possível fidelidade estilística, mas sim na possibilidade gerada por vários fatores – tecnológicos, comunicacionais, geopolíticos, artístiscos, que permitem que Jack volte de sua morte subterrânea e seja resgatado sobre um novo ângulo, de um fã, de uma alma co-irmã que reconhece em suas palavras e suas ações uma mediação essencial ao próprio espírito e motivação existencial de conduta na Terra.

Versus é um livro escrito “ao vivo” na web e está em constante construção. Seus capítulos retratam partes fictícias da vida de Jack Kerouac e são postados com uma frequência que já virou de 15 dias há dois meses. É um projeto que pretende continuar mesmo após uma possível publicação.

Sempre me incomodou o fato de Jack Kerouac poder ter se tornado reacionário no final da sua vida defendendo a guerra e outras ações anti-libertárias, induzindo uma conduta retrógada e paradoxal. Por um outro lado, apesar de toda a filosofia de suas obras, raramente pensou em outra coisa senão a própria razão e o prazer. Porém, como um peixe em seu mundo sublime e líquido, Jack sabia que a sua felicidade só poderia ser alcançada, quando a liberdade não fosse mais tema a ser combatido ou normatizado. Sendo assim, para que alcançasse realmente o satori, todos deveriam ter consciência. Se fosse somente ele, não valeria a pena. Todavia, não conseguiu suportar o peso da cobrança do tempo e de sua própria vaidade. Declinou deixando talvez, uma última lição: lutar pela liberdade é também, em determinado momento, se excluir da juventude e isso para quem não pode nunca deixar de querer ser um espírito, sem um corpo fadado ao envelhecimento, é um fardo inevitável. Seu corpo, avental quase indispensável a vida, não suportou a insistência em querer tirar sua mente desta realidade, tão distante ao próprio espírito.

Também acho bastante interessante o fato de poder escrever kerouaquianamente em português. Acho que isso prova que seu discurso, por mais individualista que fosse, ainda assim é de tal forma iluminado que se torna universal. Em 2006 ganhei os Diários de Jack e me fascinou muito o fato de termos algumas crenças e “falas” bem parecidas. No mesmo ano, parti para ler On the Road e todos os outros que a LP&M publicou. A cada ida a uma livraria, a visita principal sempre era às estandes de pocket. Com o tempo, acabei adqurindo o meu favorito, até por crer no melhor título Zen possível: Vagabundos Iluminados. Talvez este fosse o termo correto que eu buscava para me definir há muitos anos e não encontrava. Entendi toda a subversão de seu discurso como um caso mais do que previsível para a minha geração Nirvana – Video-Game – Internet. Jack e os beats, realizaram em meio ao poder normativo da época, o que 40 anos depois seria possível com o apagado e capitalista anos 90:  ter liberdade para querer pensar no que quisesse e fazer da forma como lhe convier aquilo ali sair de dentro. Só que apenas agora, na Era 2.0 da web é que realmente foi possível crer novamente nesta liberdade, afinal, o apagar das luzes do século de Jack também contaminou a qualidade do conteúdo e da forma de se inscrever na realidade.

O sublime da geração beat foi descobrir na linguagem híbrida com os meios a forma de se alcançar a liberdade – vide as gravações de poemas, as citações ao entretenimento e ao rádio, aos carros, ao peso colocado pela mídia no julgamento de Allen Ginsberg e o Uivo e mais tarde com On the Road, a narrativa de Kerouac como um ritmo poético tanto do jazz, quanto dos trilhos e rumos de sua vida nômade.

A primeira intenção era tentar fluir algo latente em nosso espírito, preso pela covardia e pelo provincianismo. Entretanto, com o passar dos “encontros”, percebi que há algo nesta história que pode valer a pena sair dos muros do desconhecimento virtual, fazendo com que o projeto seja reconhecido neste ambiente e no mercado editorial.

J P de Oliveira

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