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		<title>Kerouac vs a loucura</title>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2012 05:05:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 51]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje, deixo o sanatório. Não aceitaram meu pedido de loucura. Hahaha! Nos últimos dois anos aconteceram tantas mini-histórias que até um velho marujo mentiroso ficaria envergonhado de contar. Tudo começou ainda em Lowell. Lá passa um rio que levou minha<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=529&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Hoje, deixo o sanatório. Não aceitaram meu pedido de loucura. Hahaha! Nos últimos dois anos aconteceram tantas mini-histórias que até um velho marujo mentiroso ficaria envergonhado de contar. Tudo começou ainda em Lowell. Lá passa um rio que levou minha alma junto. Sempre pensei em sair do quintal de uma das casas beira-rio e de lá ir para o mundo. Quando era menor, fui o mentor de uma das nossas tentativas de escapar.  Já estávamos cruzando o condado quando o pai do Harry apareceu com as nossos irmãos menores e gente da cidade. Sempre soube que queria viajar pelo mundo sobre o mar. Porquê a vida é o mar!</p>
<p style="text-align:justify;">Mas os tempos eram de guerra e eu não estava a fim para contribuir com qualquer tipo de matança. A vida já era difícil demais com as coisas precárias, o mundo não precisa de mais tantas outras ruins. Por isso, dei um jeito de ser dispensado da marinha por comportamento paranóico e agressivo. Fui preso e tirado do barco, por assim dizer. Mandaram uma carta para meus pais e a mim para esse internato para jovens. De alguma forma sabiam que eu tinha forçado a barra e queriam mesmo era me dar uma espécie de lição, uma lei marcial nas entrelinhas.</p>
<p style="text-align:justify;">Os quarenta e nove dias que passei aqui me motivaram a olhar para a vida e para a vida das pessoas de uma outra forma. Lidar com aqueles que são encostados requer três atitudes: os parentes esquecem ou desistem, os médicos controlam e os donos do jogo desejam eles fora, mas não tem como, a América ainda é um país cristão. Na verdade, por mais dramático que seja, muitos dos que estão ali são garotos e garotas de &#8220;posição&#8221;. Gente que sempre teve tudo, que frequentou boas mesas e salas de aula, que até viajou ao exterior, nem que seja ao Canadá.</p>
<p style="text-align:justify;">É muito engraçado porquê aqui você acaba cruzando com tipos que simplesmente não cresceram. São crianças traumatizadas em corpos de adultos. E, claro, a sexualidade é uma das peças essenciais de vários dos contextos. Um dos mais interessantes, um hipster de 30 anos, provavelmente acabado pelo álcool, bolas e benzedrina, anda peladão exibindo os ovos para todo mundo. Catarina, a noviça, levanta a saia em todos os piqueniques e mija rindo enquanto os enfermeiros a catam pelo braço. A masturbação é uma constante. Os lençóis apodrecem de tanta excitação. Sei que não é algo legal nem de ler, mas agora estou em uma fase que quero arranhar o olho do leitor pelo estômago. Cansei de pensar num mundo e universo só para o meu umbigo, ele também deve sentir o peso do que eu vi, do que eu pude interpretar dele e de seus bonecos de fantoche. Não dá mais para ignorar que há algo de errado nesse lugar e nas pessoas daqui e eu sei disso e sei colocar para fora. Como é possível trancafiar tanta gente e verdade dentro de condições tão aterrorizantes, dando a eles o tratamento que não dão aos próprios cães? E muitas vezes, a incompreensão, a ma fé, a injustiça é com o próprio sangue, com o vizinho, o companheiro de jornada&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">O pior é que tenho certeza que quando passar desse portão , do trem às ruas da grande cidade vou continuar tendo a mesma sensação, de que estamos presos em uma espécie de asilo e não é Deus que nos protege, porquê Ele não suporta tanta ignorância.</p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-51/'>Capítulo 51</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/529/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/529/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/529/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/529/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/529/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/529/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/529/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/529/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/529/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/529/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/529/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/529/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/529/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/529/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=529&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Kerouac vs a honra</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 22:06:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 50]]></category>

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		<description><![CDATA[Seus olhos nunca são os mesmos. A cada dia, a cada despertar, um novo mundo se projeta biologicamente dentro de você e aquilo que enxerga, por mais que seu cérebro de TV, viciado, ache que é o mesmo, que o<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=524&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Seus olhos nunca são os mesmos. A cada dia, a cada despertar, um novo mundo se projeta biologicamente dentro de você e aquilo que enxerga, por mais que seu cérebro de TV, viciado, ache que é o mesmo, que o sorriso e a decepção tem os mesmos tons, não têm. Há uma história de que a angústia viaja amarrada nas costas do viajante. Não adianta sair de um lugar se o que lhe ferra tá dentro e te acompanha até a porta do inferno. Ou seja, por um lado temos um despertar completamente novo todos os dias e, por outro, temos as coisas dentro de nós permanecendo, independente da coordenada em que seu corpo estiver habitando. Assim, somos novos corpos em almas velhas, vagabundas, repetitivas, geralmente, estagnadas.</p>
<p style="text-align:justify;">E assim, com a ilusão de que a mudança de lugar iria facilitar as dores, saí do ventre que tanto conhecia e parti para a maior cidade do mundo. Mesmo morando no interior, meu espírito sempre procurou entender das coisas como se não houvesse hierarquia. Não conseguia acreditar que qualquer coisa funcionasse melhor fora da gente do que dentro. Absorvi em torno de mim, todas as possibilidades de acontecimento desse mundo e achei que a partir disso, qualquer coisa que fosse possível, poderia estar em mim, independente de meus olhos, ouvidos, nariz ou boca estar perto ou não daquilo. Por um lado, é uma forma de aceitar que o mundo é muito mais vasto que os seus sentidos e a área que pode ocupar ou visualizar. Mas também, é um pouco de orgulho em não reconhecer a imensa pequenez. Que porra de vida é essa que me joga para o alto, me faz acreditar que sou um iluminado e ao mesmo tempo, me tampa na parede, como um navio em mar bravio, me coloca em um lugar tão rebaixado que qualquer condenado sentiria orgulho de sua condição diante do quanto me humilho. Sou viciado em me colocar por baixo de qualquer ser que tenha um vazio entre as pernas e que demonstre nenhum tipo de consideração por mim. A única hierarquia que respeito é aquela que fode com meu coração e acaba com qualquer projeto sério que esteja levando no momento, na vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Essa herança maldita deve ter algum tipo de arqueologia em minha alma. Será possível olhar para atrás e achar algum culpado nessa história louca de excitação, submissão, destino e chão! Será minha mãe, a morte imatura do meu irmão, os porres de papai, a cristandade chorosa da cruz do mundo? Porquê sempre vou ao mais raso do raso, rastejo sobre minha carne e dilacero qualquer consideração por minha honra. Sou livre, mas aqui dentro, aqui onde eu acho que domino, sou fisicamente dependente da tristeza. Sinto-me livre, mas sei bem o quanto fico trancafiado em sentimentos de desconforto. Enquanto a maioria se mata pela vergonha, eu me alimento da minha própria desgraça. E essa sequência, não apenas permaneceu quando me desloquei no espaço, como se potencializou na grande cidade. No interior, pelo menos, em algumas ocasiões só eu e meus piolhos sabiam realmente que era prazeroso ser ofendido por uma vadia. Aqui, onde as regras e as leis não são conforme a tradição cristã, tudo mundo fica sabendo em seguida, é como se colocassem o fora que você tomou para passar no Times Square. Logo, os olhares são de pena e você tem certeza que sua honra desceu pelo ralo do esgoto e que ninguém nunca mais vai querer olhar para não correr o risco de pegar essa coisa de ser colocado na sarjeta da sociedade. Além disso, é missão de qualquer xoxota cosmopolita fazer questão de apontar para a sua cara e dizer: ual, você é o máximo, pena que não tem nome, pena que é um caipira.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas, enfim&#8230; levantei com novos olhos nessa manhã. A angústia, olhei no espelho, e a vi tatuada no meu peito. Peguei uma faca e escarifiquei sobre a imagem, &#8220;impossível&#8221;&#8230; que ela saia dali, que eu desista de senti-la, que eu acorde como antes, que eu não seja eu mesmo. E com a lâmina sangrando, parti para as ruas, a primeira vadia que encontrar vou fazer questão de mostrar quanto tão rústico é o meu pau.</p>
<p style="text-align:justify;">
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-50/'>Capítulo 50</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/524/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/524/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/524/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/524/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/524/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/524/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/524/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/524/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/524/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/524/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/524/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/524/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/524/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/524/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=524&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Kerouac Vs o Casamento</title>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 01:10:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 49]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando tudo deu errado e era fato que viraria comida de minhoca debaixo da terra, uma luz bem lá no finalzinho do túnel resolveu aparecer pra mim. Antes de morrer jovem e senil, entregue a uma cela úmida e tifo,<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=517&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Quando tudo deu errado e era fato que viraria comida de minhoca debaixo da terra, uma luz bem lá no finalzinho do túnel resolveu aparecer pra mim. Antes de morrer jovem e senil, entregue a uma cela úmida e tifo, preferiria entrever-me com um outro alguém, mesmo que isso levasse em conta a obrigação e o acúmulo de carma. Por um tempo, justamente por estar necessitado de um manche na vida, pensei que a liberdade era o casamento. Amar e ser amado, não se preocupar muito com o que acontece lá fora e ter um cobertor de orelha todas as noites frias do inverno. Dividir momentos bons e ruins, chegar a conclusões juntos, poder ver se desmanchar uma primeira persona e se fundir com os pensamentos e os desesperos e os sonhos de outra pessoa. E assim foi durante mais de 2000 luas. Naquele tempo, o que eu pensava de mim e sobre a vida era muito frágil e cheio de fantasias &#8211; não que essas duas características não me acompanhem agora. Tinha segredos que incomodavam minha mente e um medo sideral das coisas saírem do controle a qualquer minuto. Hoje, as malícias da cabeça já não me corrompem tanto e o medo do chão cair foi jogado para a hora em que ele abir, realmente. Sempre penso na sorte e espero que ela me poupe disso nessa vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Saí da cadeia e fui direto para o altar. A única forma de me salvar do quadrilátero do capeta foi me casando. E para cumprir tal obrigação, me mudei novamente para o interior e tive que conviver com uma estranha mesmo que aquilo tivesse que durar para sempre. Pensei muito nas mulheres e nos noivos que passaram a história da humanidade conhecendo-se no dia em que decidiam por eles que, a partir daquele momento, um teria que servir ao outro. Continuei preso.</p>
<p style="text-align:justify;">Minha esposa era essencial e minha bestialidade foi bem domada. Entretanto, a fúria dos anos vindouros arrancou-me a alma pacata e o sangue enebriante da rua me convocou sem dó nem piedade.  Estava muito novo para me dizer completo. Para um, a vida é uma sequência montada, para mim, ela acontece a cada frame. Por isso, embarquei em um zíper e fui flanar na grande cidade novamente. Sei que meu problema não é o casamento exatamente, mas eu mesmo e a pessoa com quem vou haver. Não adianta, em algumas almas o incômodo diante a inverdade não deixa respirar direito. Sou motivado pelo equilíbrio e quando não há sombra dele, a cada segundo que passa, meu espírito se esperneia e tenta sair fora da rota.</p>
<p style="text-align:justify;">Prometi a mim mesmo que a próxima, Aquela ou outra, seria muito bem tratada. Receberia um carinho nunca imantado da minha parte e atenção para todas as coisas. Conheci uma flor e para ela resolvi dedicar minha jardinagem completa. Passei meses regando, colocando adubos de serventia e admiração, mas em coração desacostumado não entra vento. Quando vi, não tinha mais qualquer certeza de que tudo aquilo valeria a pena o tempo todo. Perdi meu passo e meu olhar. Minha vista brilhava cada vez mais distante e aquele velho incômodo bateu a porta da alma novamente. Em minha ingênua vontade, me ofereci como noivo e marido, mas fui negado, não apenas na voz, mas principalmente, em intenções iniciais. Talvez não tenha dado tempo algum para que ela pudesse se ver comigo. Entretanto, minha embriaguez de vida, tornou os dias um suplício. De um lado queria permanecer por todo o benefício que só aquela flor poderia me dar nessa existência, mas por um outro, sabia eu que talvez não tivesse mais a mesma mão para dela cuidar, com aquele devido carinho que as rainhas devem ser idolatradas. Não soube explicar motivos, até hoje, não consigo dizer exatamente,  porém, mais uma vez, aumentei meu carma. E sabendo da verdade, quis apostar que não haveria por quem me apaixonar nos próximos 10 anos, não existiria qualquer porção de beleza e inquietude que me tiraria do perigo de querer, mais um vez, encontrar a liberdade me eclodindo à alma de outra mulher.</p>
<p style="text-align:justify;">Era uma época muito propícia à manutenção dos pés livres. Nova York conduzia sua cultura através do beebop alucinado e das novas linguagens artísticas. Ainda não havia conseguido encontrar editora para meu livro, mas ainda assim, minha esperança estava depositada em uma geração batizada pelo espírito do mundo renovado em sangue. Havíamos saído da segunda guerra mundial com muitas cicatrizes e o ambiente do mundo parecia necessitar de poesia e amor para se encontrar novamente. E até as garotas se divertiam como nunca. Raramente tínhamos noites com poucas possibilidades, parecia que estavam alucinadas para deixar a barra da mamãe e se divertir nos braços de um malandro, ainda mais se esse fosse romântico e canalha ao mesmo tempo. Nessa época, conheci muitos endereços novos na cidade, bairros e bares que nenhuma vida de casado me daria. E de repente, tudo parecia cinza novamente. Foi a primeira vez que percebi, realmente, que a faca não estava na vida, mas dentro de mim. Ela dilacerava cotidianamente minha razão e impedia a harmonia seja estando ou não estando. Dormi pensando nessa máxima durante sete dias e quando acordei, resolvi partir para o oeste novamente. Antes de ir, entretanto, passei a enviar cartas para uma tal Ana, mulher da minha idade, independente e que residia em Nova York mesmo. Artista e curadora de exposições incríveis, via-me diante um monstro e por isso, não conseguia me segurar na sua frente, não gostaria que me visse como um menininho babando sua divindade. Preferi encantar seu espírito aos poucos com aquilo que mais sei fazer: escrever.</p>
<p style="text-align:justify;">A cada destino da viagem, uma carta de amor. Dizia o quanto a admirava, o quanto gostaria de compartilhar a vida e a morte com alguém tão loucamente apaixonada pelo mundo e pelo faber. Sabia que a alma que me colaria teria que ter em si algo muito do fogo. Elemento essencial para a criação de mundos próprios e coletivos. Pensava que uma companheira na estrada teria como ideal para mim, a soma, o cálculo exato entre estar apaixonado e ser lúcido, entre ser amado e estar incomodado, convocado para o cliché dos bardos: fazer amar todos os dias. Sempre odiei mulheres que me deixavam passar, que por medo ou indiferença, simplesmente me deixavam ir ou me colocavam em um lugar especial, como uma torre impossível de ser alcançada. E ela não me deixava. Quando chegava em uma próxima cidade, quando demorava um pouco mais na estrada, lá estava uma carta dela em minha caixa postal itinerante. E suas mensagens diziam do quanto me amava e do quanto sentia meu caminhar pela América como um caminho nobre e libertador. Via minha vida como a de um poeta, um artista que pinta um quadro a cada olhar, palavra, sonho descrito. Quando lia, minhas pernas se esforçavam para não querer sair dali e voltar imediatamente para seus braços. Todavia, meu objetivo era ficar só, esperar o mundo acontecer de verdade e novamente decidir se seguiria o velho caminho do homem romântico ou me entregaria ao caminho do homem romântico velho, desbotado e descrente pela vida, preso em paixões platônicas e dores de existir.</p>
<p style="text-align:justify;">Em meados de julho, com o verão arrebentando em LA, descubro sem querer que ela estaria na cidade com uma mostra de artistas da costa leste. O incômodo bateu forte, pois ela sabia que eu estava a caminho da Califórnia e porque não me avisou, porque não fez questão de me falar, pois essas coisas são marcadas com semanas, meses de antecedência e na noite anterior mesmo, nos falamos pelo telefone? Por um momento pensei que talvez quisesse uma prova do meu amor e devoção. Quem sabe, não gostaria que eu descobrisse sozinho seu destino e provaria que estaria interessado, indo ao seu encontro. Além do que, internamente gostaria que ela sentisse que essa seria uma ocasião para que um calafrio subisse ao seu corpo, sem supor a certo que eu apareceria ou não na galeria.</p>
<p style="text-align:justify;">No dia da estréia, tomei um longo banho, usei o perfume que ela havia referido em carta, comprei flores e escrevi um poema. Desci do ônibus bem perto do lugar e vi que ainda estava cedo demais para entrar. Um homem loucamente apaixonado tem sempre uma possibilidade muito franca de ser ansioso e acabar entrando de sola antes do que se deveria. Não queria parecer óbvio. Escondi as flores e guardei o poema no bolso. Esperei meia hora em um bar, o tempo suficiente para rever um sujeito que tinha tido comigo no meio do deserto há alguns anos, pedindo emprego. Nos reconhecemos e começamos a conversar sobre mulheres. Sua visão era para lá de cáustica e tudo o que me disse não parou de embrulhar meu estômago:</p>
<p style="text-align:justify;">- Rapaz, você acredita que essa puta tá aqui por sua causa? Deve estar dando para algum ricaço, na casa dele e com a mulher dele dormindo no quarto do lado.</p>
<p style="text-align:justify;">- Você é muito pessimista, cara. A mulher está doida comigo, me envia cartas por toda a América me pedindo para viver com ela.</p>
<p style="text-align:justify;">- Imbecil, ela o quer de longe, não percebe? Elas preferem um marido do que um poeta louco. A nós, elas querem fuder, pois sabem que nossos pintos e línguas são os melhores, mas para dividir o lar, dividir as contas e as crianças, ahhh, elas não nos querem&#8230;,</p>
<p style="text-align:justify;">- Quem disse crianças?</p>
<p style="text-align:justify;">- Vai me dizer que não entende das fêmeas? Enquanto estão solteiras, fingem que são como homens, quando casam, revelam-se famintas para procriar, continuam sendo como homens.</p>
<p style="text-align:justify;">Acabei a birita, limpei a boca e com o álcool cutucando o coração, parti decidido para a vitória. Passei pelo arbusto, peguei o buquê e entrei na galeria. Procurei, procurei, procurei. Por um minuto tive certeza de que estava errado, que não era ela a curadora. Isso me aliviou e toda a paranoia do desprezo foi vencida. Fiquei apertado e fui dar uma mijada. O banheiro estava ocupado. Realmente, ainda estava muito cedo e pouca gente tinha chegado à recepção. Com as flores nas mãos assisti a ela sair do banheiro masculino, sozinha. Olhou-me mas pareceu não me reconhecer, não tive coragem de falar quem era &#8211; tínhamos nos visto apenas uma vez, muito rápido, uma foda incrível apaixonante. Na ocasião, em uma boate, logo depois do rompante, ela teve que ir embora, deixou-me apenas a sua caixa-postal. Entrei no banheiro um, dois segundos depois. Lá dentro, um cara colocava a blusa para dentro das calças e se olhava no espelho com alguns borrados de batom. Como não se contivesse, disse-me:</p>
<p style="text-align:justify;">- Cara, que mulher louca, acabamos de dar uma metida sem noção e ela me disse para lhe escrever uma carta, deixou até sua caixa-postal escrita de batom no espelho. Que louca, que louca&#8230; e assim, puxou a braguilha e fechou o zíper e me pediu um papel para anotar o número. Dei meu poema&#8230;</p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-49/'>Capítulo 49</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/517/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/517/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/517/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/517/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/517/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/517/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/517/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/517/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/517/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/517/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/517/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/517/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/517/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/517/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=517&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Kerouac Vs U.S. ARMY</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Apr 2012 21:38:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 48]]></category>
		<category><![CDATA[US Army]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais uma vez me encontro inerte. Queria muito poder trazer das vísceras uma história, visão ou qualquer coisa que pudesse cuspir meu espírito. Ando muito atento, produzindo pensamentos e falando muito. Porém, o grande Babuíno não me visita a não<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=511&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Mais uma vez me encontro inerte. Queria muito poder trazer das vísceras uma história, visão ou qualquer coisa que pudesse cuspir meu espírito. Ando muito atento, produzindo pensamentos e falando muito. Porém, o grande Babuíno não me visita a não ser que seja em metalinguagem, somente nesta hora, quando estou, justamente, reclamando a mim mesmo a falta de inspiração para juntar letras e depois, espalhar palavras.</p>
<p style="text-align:justify;">Acho que isso acontece desde quando eu comecei a encarar essa coisa de escrever de forma impessoal. Antigamente me arrastava por esse país tagarelando que era um escritor. Mas agora, já não sei mais, acho que é uma espécie de maldição cigana. De tanto falar que seria, esse demônio apareceu me obrigando a ser assim, a ser desse jeito que esperam de mim. Tenho caído muito na bebida e as ideias não estão sendo tão legais assim. Entretanto, vira e mexe um papa-letras (agente filho da puta) me pressiona a ser o velho beatnik. Mas eu mudei, porra! Não aguento mais esse pessoal que sempre riu das minhas cretinices e me cultua como um semi-deus. Se fosse no Camboja, teria uma imagem do Jack para adorarem. Enfim, coisas da vida!</p>
<p style="text-align:justify;">E por falar no sudeste asiático, onde uma horda afina a pontaria e as doenças venéreas pululam nos pintos brancos e jovens da América, lembro-me de um veterano da guerra da Coréia, bêbado e entregue ao mundo. Estava  em algum lugar da Virgínia, indo em direção à Nova York. Parei para mijar e refrescar a garganta num posto e esse sujeito estava encostado no balcão reclamando sobre a vida com a garçonete e ao mesmo tempo, tentando seduzi-la com um discurso bem babaca. &#8220;Então, Betty, eu não aguento mais a política desse cara. Queria acabar com tudo aqui, ir para o oeste, levar sua bucetinha quente comigo&#8221;. Não acreditei muito quando ouvi aquilo. Achei que a Betty ia ficar chateada, mas nada. Abriu um sorriso bem safado e disse, &#8220;ohhh capitão, os pintos da Virgínia me atraem mais do que o deserto. E prefiro ter vários voando do que um só&#8221;. Na verdade, quem ficou puto foi o tal capitão. Na mesma hora, levantou o peito e os olhos, deu uma checada para ver se tinha alguém ouvindo. Me viu e viu que eu tinha visto e escutado. Olhou com ódio, primeiro pra mim, depois pra ela.</p>
<p style="text-align:justify;">- Olha, o pior da América são esses idiotas, metidos a alguma coisa que sempre acham que sabem mais que todo mundo. Ei você, seu vagabundo, o que você faz da vida?</p>
<p style="text-align:justify;">- Bebo cerveja! Respondi sem dar muita bola.</p>
<p style="text-align:justify;">- Maricas&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Tomei mais um gole, pensei um pouco com os meus botões, olhei para a cintura dele&#8230; parti pra cima. Pow, um soco bem no olho do capitão. Acho que ele não esperava aquilo. Caiu como uma tábua velha e inchada. Betty se desesperou, acho que ela gostava mesmo dele. Tirou um revólver de trás do balcão e me mandou sair, sem antes me roubar 20 dólares &#8211; muito além do que me cobraria. Por sorte, um tenente reformado estava passando pelo posto na hora e me deu uma carona até Maryland. Pensei que o capitão e sua putinha iriam me matar.</p>
<p style="text-align:justify;">O surreal foi que a primeira pergunta que o motorista me fez foi a mesma que o cara do bar. Dessa vez, respondi como um bom menino &#8211; &#8220;sou escritor&#8221;. A é, disse, que bom. Adoro ler, nunca conheci ninguém que tenha publicado. Disse ao sujeito que escrevia desde pequeno e que na adolescência inventava meus próprios jornais e personagens e tudo mais e que já tinha publicado um livro há alguns anos e que estava andando pra baixo e pra cima com um rolo com a história mais louca da América. Ele me pediu para contar, ai eu disse: bom, tenente, você tá nela!</p>
<p style="text-align:justify;">Como já diria Orwell, &#8220;paz é guerra&#8221;. Escrever é apagar.</p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-48/'>Capítulo 48</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/511/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/511/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/511/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/511/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/511/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/511/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/511/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/511/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/511/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/511/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/511/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/511/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/511/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/511/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=511&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Kerouac Vs Me</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Mar 2012 14:22:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 47]]></category>

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		<description><![CDATA[Há 90 anos nascia o pai dos Beats. Kerouac foi um poeta errante, preso em um mundo sombrio, porém com a genialidade daqueles que escavam e encontram um caminho geral para a verdade. (Re) Conheci Jack já meio velho, aos<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=495&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" style="border-color:black;border-style:solid;border-width:1px;margin:1px;" src="http://farm5.staticflickr.com/4070/4525113052_de52ac8926.jpg" alt="" width="241" height="300" /></p>
<p style="text-align:justify;">Há 90 anos nascia o pai dos Beats. Kerouac foi um poeta errante, preso em um mundo sombrio, porém com a genialidade daqueles que escavam e encontram um caminho geral para a verdade.<br />
(Re) Conheci Jack já meio velho, aos 25, 26. Ganhei de aniversário da <a href="http://www.facebook.com/julia.milward">Julia Milward</a> e do <a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=100001071161263">Rômulo Veiga</a>os Diários de Kerouac (L&amp;PM) e fiquei fascinado com a escrita e os pontos de vista de um estrangeiro em qualquer terra. Identifiquei-me com seu budismo católico, sua necessidade de transição e o apelo pelo contato com o outro, com o espírito dos demais.<br />
Assim, meio que de supetão, comecei a colecionar seus livros, a falar sobre ele, suas visões, sua nova visão, a pesquisar quais artistas tinham se influenciado por suas obras e palavras&#8230; e percebi que muitos deles eu já era fã, percebi que muitas atitudes minhas eram como a daqueles caras dos anos 40 e 50. Por certo, como diria o Mazetti, dei sorte de ter pego os beatniks já mais velho, pois se sem sua influência direta já tinha entrado de sola na vida, imagina o que seria com um bíblia da errância no bolso.<br />
Por fim, em uma necessidade de continuar seu mito e a busca incensante pela liberdade de expressão e artística, consegui criar um sistema literário em que me dou o prazer de humildemente tentar escrever como Kerouac e tornei ele meu personagem, o grande cara da &#8220;nossa&#8221; saga. &#8220;Let it beatnik&#8221; é uma série de encontros entre Jack e caras do meanstream cultural-artístico dos anos 40/50/60. São pessoas que existiram, que contribuíram de alguma forma para a minha própria persona e que imagino poderiam ter conhecido a sua turma e mesmo que não, são espíritos que se juntam ao beat e sacralizam a vida através de feitos simples ou mesmo, grandiosos, mas que contribuem para que eu possa, finalmente, entender e ver um caminho, mesmo que esse seja ao lado de fantasmas e de antepassados.<br />
O beat é a cor impossível que pulsa na escuridão dessa vida!<br />
Viva Kerouac, viva o triunfo da liberdade!</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.flickr.com/photos/33289462@N07/sets/72157623866889070/"><img class="aligncenter" src="http://farm5.staticflickr.com/4049/4525106442_1a807e1058.jpg" alt="" width="460" height="276" /></a></p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-47/'>Capítulo 47</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/495/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=495&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Kerouac Vs Lennon</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Feb 2012 05:20:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 46]]></category>
		<category><![CDATA[Beat]]></category>
		<category><![CDATA[Beatles]]></category>
		<category><![CDATA[John]]></category>
		<category><![CDATA[Lennon]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 62, fazia uma viagem pela Europa, mais especificamente por Hamburgo, na Alemanha Ocidental. Numa noite “daquelas”, encontrei um sujeito que iria se tornar muito famoso pouco tempo depois. Ele tinha uma dessas bandas que perverteram o bebop. Só guitarra,<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=492&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Em 62, fazia uma viagem pela Europa, mais especificamente por Hamburgo, na Alemanha Ocidental. Numa noite “daquelas”, encontrei um sujeito que iria se tornar muito famoso pouco tempo depois. Ele tinha uma dessas bandas que perverteram o bebop. Só guitarra, só guitarra. Apesar dessa tristeza, minha dor podia reconhecer que aquele mundo infeliz dos anos 60 precisava mesmo daquele tipo de imbecilidade estridente. Tomamos nossas coisas e ficamos alto. Disse a ele que todo mundo que fizesse sucesso nestes anos de transformação iria perecer, que tudo acabaria num piscar de olhos. Nada iria durar, por que nesse mundo tudo é impermanente e o que estavam fazendo com as coisas de verdade era completamente ridículo. E que muitos, como eu e como ele, viriam para acelerar essa maldita transformação, e todos nós iríamos ter que enfrentar os nossos deuses (e demônios) pessoais, pois a vontade seria a de voltar correndo para o bom e velho paraíso de onde a gente não deveria nunca ter saído. Acho que ele não ficou muito assustado, seus olhos brilhavam (claro!), mas não era um brilho totalmente artificial, senti mesmo que aquele papo tinha um quê de iluminado, uma legítima conversa beatificada – algo que há muito tempo não conseguia ter nem com um gato, quem diria com um macaco falante. Todavia…<br />
Alguns meses depois, em Nova York, recebo um telegrama que dizia: “Você <em>fodeu</em> a minha vida. Agora não tem mais volta. Shiva domina a minha alma e a única coisa que eu posso fazer é seguir seus conselhos. Até agora não sei se estes conselhos são os seus ou os dela.”<br />
Fiquei um pouco atônito com aquela correspondência inesperada. Não que ninguém nunca tivesse me escrito dizendo o quanto eu havia transformado sua vida, o quanto eu tinha a libertado das mentiras hipócritas da sociedade e como meus livros tinham dado liberdade e sentido aos seus atos e toda aquela baboseira que a gente sempre ouve por ai. O lance é que nunca havia lido alguém tão consciente de sua própria missão em tão pouco espaço. Ele sabia quanto seria dolorosa sua existência e a dor era para todos. Eu sabia que ali por trás havia realmente uma alma beat.<br />
O que mais me surpreendeu é que meia hora depois, um outro telegrama chegou para mim. Nesse vinha assinatura e endereço de envio. “Saí da minha vida besta na beira do cais e hoje sou um soldado da luz, beatificado pela vibração da minha luta e eternamente condenado a sentir a dor das pessoas sob os meus olhos. L, J. Seviço de mensagens Mirrage Hotel, NY. 8 de fevereiro de 1964″. Bom, o jeito era esperar mais um pouco e ver se outra carta chegaria. Claro que não chegou. No dia seguinte, liguei a TV e aquele mesmo sujeito que eu havia encontrado em Hamburgo estava sob a luz dos holofotes, com uma guitarra em punho e cantando sobre o amor para um monte de meninas histéricas, loucas para tirarem suas roupas e ficarem a vontade. Não aguentavam mais serem como suas avós e não queriam que suas filhas tivessem mães como as delas, muito menos pensavam em maridos como seus pais.<br />
Vi todo aquele sucesso que o acompanhava como algo que já havia me perseguido. De certa forma sentia em mim uma angústia por conseguir perceber com exatidão a dor que viria a seguir, com a decadência. Quando um beatificado percebe que o barco em que navega não está sob o seu controle, a angústia da alma assola a sua vida e todo o colorido da existência se transforma em meras cenas do pretérito. Os corpos, o sorriso, a loucura e a alegria da juventude, tudo estava sendo recriado novamente através de acordes e comportamentos alucinados. A alma do mundo estava se mudando da pior forma e eu, como ele, tínha servido de fantoche para muita gente infeliz que só via resultado na fama, no dinheiro e no poder. Uma pena. A única coisa que eu gostaria de poder ter dito àquele garoto é que realmente amanhã nunca se sabe. Por isso, qualquer glória ou honra dada nesse mundo é como a espuma do mar, é inconstante, impermanente, aparece, desaparece. A vida na verdade, é outra história. Não essa que insistem em contar todos os dias, não essa que nos encanta e nos faz sorrir com os produtos da vitrine, não essa que fingem nos oferecer recheada de morangos mofados de luxúria e hipocrisia.<br />
Pouco tempo depois, no auge da fama de Lennon e seus amiguinhos, Neal me veio com uma teoria. O velho maldito me disse certa noite quando estava bêbado como um gambá: <em>cara, eles roubaram a nossa vida, roubaram nossa música e para piorar, além de pegarem todas as mulheres que ainda nos sobravam, usam o nosso nome.</em> Eu apenas sorri e pude compreender por um instante que Neal não estava certo ou errado. A questão é que nós éramos apenas o meio. A energia Beat dos santos sagrados passou por nós e colou neles. Agora era a vez dos Beatles contribuírem antropofagicamente como oferenda para Shiva, o deus mor da renovação/destruição. Eram eles os verdadeiros beatos daquele momento. Mas até quando conseguiriam oferecer a outra face? Até quando…</p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-46/'>Capítulo 46</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/492/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/492/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/492/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/492/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/492/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/492/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/492/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/492/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/492/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/492/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/492/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/492/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/492/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/492/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=492&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Kerouac Vs Espinoza</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Feb 2012 04:01:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 45]]></category>

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		<description><![CDATA[Na mais louca de todas as cidades, encontrei meu esplendor. Minha inquietude se inicia quando me pedem para escrever seu nome em um papel. Digo a eles que a grande cidade são todas, são todas as coordenadas que meus pés<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=484&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Na mais louca de todas as cidades, encontrei meu esplendor. Minha inquietude se inicia quando me pedem para escrever seu nome em um papel. Digo a eles que a grande cidade são todas, são todas as coordenadas que meus pés e meu espírito habitam no aqui-agora. Lowell, Frisco, NY, LA, Mex. City e centenas de milhas de asfalto e poeira compõem a imensa e inigualável vila que percorro abundantemente há anos.</p>
<p style="text-align:justify;">Na física em que me desencontro, não há espaço, somente um tempo relativo, um envelhecer dos ossos e das posições flexíveis. Percebo por toda parte, pelos olhos dos meus vizinhos de estrada, que o melhor para todos é que o silêncio e a inércia continuem salvaguardando o ordenamento cotidiano. Assim, particularmente, não sei afirmar se existe realmente um lugar ou se tudo que existe são lugares, uma unidade, impossível de ser vista ou medida, apenas teorizada.</p>
<p style="text-align:justify;">As fronteiras continuam mesmo que falhem nos mapas. Elas são inseparáveis e se envolvem eternamente. Não há acidente geográfico ou tratado que possa realmente afirmar se um muro ou um penhasco realmente separa as almas de distantes coordenadas, mas que bailam sobre a Terra continuamente, constantemente e, absolutamente, ao mesmo instante, em uma coreografia intensa e saborosa, recheada de vigor e beatitude. Se você consegue se separar, então me diga com exatidão onde me termino e o mundo se começa, onde meu pensamento é quebrado, segmentado e outro, enfim, se torna alvo para controle e padronização.</p>
<p style="text-align:justify;">Por um forte acaso a aparente babel se formou, mas qualquer teoria que tente equiparar, classificar ou desclassificar grupos, glebas humanas, demonstra-se de início, falha. Somos porções oceânicas, talhadas sobre a aparência carnal, recheados de água e vaidade. Somos bolhas aquáticas que caminham cegos pela crosta, encrostadas em velhas incertezas e medos contínuos da maré e do malefício. Não existem limites, muito menos soberanos, menos ainda, donos de si. É com pesar e tristeza que acompanhamos o homem tentar em vão separar sua vida da do outro, requerer sua individualidade através da convenção: você finge que é livre, enquanto acredito que sou autêntico.</p>
<p style="text-align:justify;">E a chave para todas essas respostas, o estopim para que todos possam entender de vez por todas que estamos imersos na mesma geleia, atende por um nome, morto como toda palavra, mas sempre vivo em seu resultado prático: a música é aquilo que comprova a unidade. Tente não ouvir o mundo, impossível. Mesmo os surdos escutam seu coração. Mesmo os surdos ouvem seu próprio orgulho gritando do seu interior, reivindicando lugares (que não existem), frustrando perspectivas (que não se realizam).</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje, minha casa é a estrada e meu veículo é a onda sonora que acompanha os passos de toda essa gente que se move e se furta junta, que vive, morre e revive continuamente, sem que haja qualquer percepção de que não há dentro ou fora, mas um constante dentro e fora, unitário e fragmentado, unido pela certeza do que se vê e pela a ilusão do que se olha.</p>
<p style="text-align:justify;">Salve a imanência! A distância entre o céu e a terra é feita de infinitos vazios que não permitem rupturas, entretanto criam palavras que se separam por regras, significados e espaços.</p>
<p style="text-align:justify;">Não há vazio porque só há vazio!</p>
<p style="text-align:justify;">Não existem palavras, pois são todas desenho!</p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-45/'>Capítulo 45</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/484/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=484&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Kerouac Vs Fausto</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 02:09:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 44]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu não sei exatamente onde é possível conter meu espírito. Procuro ardentemente a passagem para o platô. A cobertura de um mundo que é real, que pertence a um possível, mesmo que sempre, sempre, qualquer coisa que seja, aqui sempre<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=374&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Eu não sei exatamente onde é possível conter meu espírito. Procuro ardentemente a passagem para o platô. A cobertura de um mundo que é real, que pertence a um possível, mesmo que sempre, sempre, qualquer coisa que seja, aqui sempre será como um simulacro.</p>
<p style="text-align:justify;">Tento continuamente me esgueirar do caminho. Prefiro a luz forte e ardente da porta arreganhada. Por um momento me penso como um anjo fodido que rompe o umbral para falar aos ventos do ódio e da raiva sobre a suavidade do silêncio e do tal. Feito um equilibrista, conquisto prédios altos para me afirmar na ponta dos pés. Quero erguer comigo um império esfacelado pelos desejos de todos aqueles que reinam em meu coração.</p>
<p style="text-align:justify;">A vida tem uma retórica estúpida de impossibilidade enquanto ela mesma não é narrada pelo que é humano. Nosso abrigo sobre o solo é fração, não unidade. Essa se vem com a consciência de que o alto está no baixo. Tudo é sentimento, tudo é racional.</p>
<p style="text-align:justify;">Passei anos penando para conseguir afastar de mim o desejo pelo pecado de querer fincar raízes. Não que fosse mais simples seguir o caminho do espelho, mas minha lição de existência me mandava querer ficar. Seria mais fácil, faltaria o humor, mas teria a velhice. Todavia o mesmo demônio me mandava como alternativa seguir caminho para as luzes ilusórias da cidade grande. Lá, dizia, &#8220;os vagabundos iluminados iriam querer ouvir de sua voz o beat. Lá, as cores da sua existência se tornarão aroma para a vida de milhares de outras pessoas&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Mover e não mover, ambos são Fausto.</p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-44/'>Capítulo 44</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/374/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=374&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Kerouac Vs Duluoz</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 02:54:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 43]]></category>
		<category><![CDATA[Kerouac por ele mesmo]]></category>
		<category><![CDATA[Lowell]]></category>
		<category><![CDATA[On The Road]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebo um telefonema de Raphaello Scoth, meu contato no NYTimes. &#8220;J. o Gary entrou de férias, cara. Seu livro já era meu camarada. Estou envergonhado, envergonhado&#8230; Maldito Gary. Ele tinha me confirmado, na próxima sexta, na próxima sexta&#8220;! Filho da puta<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=364&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Recebo um telefonema de Raphaello Scoth, meu contato no NYTimes. &#8220;J. o Gary entrou de férias, cara. Seu livro já era meu camarada. Estou envergonhado, envergonhado&#8230; Maldito Gary. Ele tinha me confirmado, <em>na próxima sexta, na próxima sexta</em>&#8220;! Filho da puta bastardo, penso. Diga a ele que quando eu for lido por metade da América, sua crítica já não vai adiantar nada. Desliguei o telefone bastante puto. Maria estava com o cigarro em mãos, encostada na cama e me olhando.<br />
- Não fique desesperado. Venha aqui.<br />
Eu não consigo me controlar e nada me deixara mais confortável. Eu tinha que poder esbravejar:<br />
- Como não! Gary Strandy é o único crítico na América que poderia dizer algo respeitável sobre o meu livro. E ele leu, tenho certeza. Mas que vacilo, mas que vacilo &#8211; soco o ar. Ela se assusta com meus gestos e fecha sua expressão.<br />
Passa um tempo e o telefone volta a tocar, Maria apaga o meu cigarro e retira o lençol de sobre o seu corpo. A chamada do aparelho parece pertubar minha cabeça. abandono a visão afrodisíaca &#8211; Maria tenta tirar minha atenção ao chamado, e persigo a possibilidade de boas notícias.<br />
- Alô!?<br />
- J.?<br />
- Sim, é você de novo Scoth?<br />
- J. Te prepara irmão. Te prepara por que eu tenho uma bomba.<br />
- Hey Scoth, não fala assim meu camarada. Há dez minutos atrás você já me esfaqueou o peito, agora pensa em cravar a lâmina?<br />
- Calma J. É coisa boa&#8230; quer dizer, pode ser. Temos que esperar. Depois de amanhã sai, tenho certeza.<br />
- Cara não estou te entendendo. Seu frangote estranho, se você estiver aprontando com a minha cara&#8230; ainda bem que estou numa onda de paz. A sabedoria oriental tem me dado muita força. Tenho aprendido uns segredos e a violência não faz parte deles.<br />
- J., a porra da resenha vai sair depois de amanhã, cara! O novo crítico chegou na redação ontem, mas logo viu seu livro. Ele se lembrou do seu nome e parece ter dito à Michele que adorou <em>Cidade pequena, cidade grande</em>.<br />
-Sério?<br />
-Porra! Cara, ele levou O Livro* para casa e disse que vai apresentar o texto na próxima sexta. Parece que o Gary armou tudo. Tirou o dele da reta e deixou para o substituto a missão de criticar &#8220;o novo fenômeno da América&#8221;!<br />
-Ann&#8230; que porra é essa Scoth!? Tá ficando louco?<br />
-J. foi isso que Gary escreveu no bilhete que deixou para o substituto.<br />
- Como deu tempo para você conseguir todas essas informações, não tinha nem dez minutos que você me ligou?<br />
-Foi a Michele, tenho um contato forte na parte de crítica literária.<br />
- Saquei, ela também escreve?<br />
-Não, limpa!<br />
Bom, confiar em uma faxineira às vezes é mais lucrativo do que pegar informação num balcão de informações. Mas elas também custumam exagerar. Isso é fato. De qualquer forma, quando desliguei o telefone, Maria já devia estar em seu 3º sono. Talvez pensando em mim, talvez não. Seu ar sereno, seus traços latinos, sua pele, boca. Era tudo uma só inspiração para a felicidade.<br />
Um livro aceito, dinheiro por palavras. Talvez pudesse mudar a minha vida, transformar meu sonho em realização. Já sei o que fazer, escrever mais, mais e mais. Quem sabe, a loucura consuma meu tecido e eu me perca de vez. O sucesso é um perigo. É ele o cetro da vaidade.<br />
Resolvi acender um cigarro enquanto refletia sobre o depois de amanhã.**</p>
<p style="text-align:justify;">* <em>On the road<br />
** Primeiramente publicado em <a href="http://verbeat.org/letitbeatnik">http://verbeat.org/letitbeatnik</a> como &#8220;Benvindo ao sonho americano&#8221;</em></p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-43/'>Capítulo 43</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/364/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=364&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Kerouac Vs Rothko</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 02:47:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 42]]></category>
		<category><![CDATA[Eua]]></category>
		<category><![CDATA[Pintura]]></category>
		<category><![CDATA[Suicídio]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos anos 50 o mundo estava mudando e nem todo mundo sabia disso. Era o jazz explodindo em novas formações, o consumo se tornando lei, a TV e tudo mais transformando a vidinha fácil do interior em uma rotina de<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=359&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Nos anos 50 o mundo estava mudando e nem todo mundo sabia disso. Era o jazz explodindo em novas formações, o consumo se tornando lei, a TV e tudo mais transformando a vidinha fácil do interior em uma rotina de trabalho e fumaça. Os carros ficavam cada vez mais barulhentos e as garotas cada vez mais espertas e, por isso, faziam as coisas alucinarem na frente de qualquer um. Ser reconhecido se tornou condição para se existir na América e eu queria muito ser alguém. Lutei contra as minhas angústias depressivas e passei um bom tempo batendo com a cara na parede.<br />
Nesta época havia um tipo de gente, uma classe especial de artistas que mesmo quando uma editora recusava os meus manuscritos, me dava força para continuar tentando. Eles confirmavam com imagens, sons e movimentos o que eu queria fazer com as palavras. O que almejávamos estava por trás do que dizíamos e isso era o retrato desse momento. Trouxemos de volta a vida para a arte, detonando aquele formalismo fechado e cheio de esquemas. Por mais que nossos trabalhos fossem bem literais, alguns eram absurdamente abstratos e dependiam do acaso. Outros, racionais ao extremo, transformavam o inesperado em algo um tanto previsível, porém sem qualquer tradução simbólica. Os americanos estavam buscando desesperadamente as coisas e seus conteúdos e, nós, enxergando o espírito da geração de forma completa, olhando para o pano sem fundo e vazio que se encontrava por trás da existência.</p>
<p style="text-align:justify;">Com o tempo, descobri que estes chapas gostavam da mesma literatura que eu, quase todos vinham do mestre Dostoiévski e tinham sua admiração por Kafka, Nietzsche e mesmo Jack London. Um dos que mais me encantou com a sua melancolia e ao mesmo tempo, sabedoria louca, foi Mark Rothko. Conhecia seus trabalhos desde o tempo em que freqüentei a Columbia, mas na época ele pouco impressionava. Finalmente, quando eu lancei O Livro ele também fez uma exposição dos abstratos mais pertinentes que já havia experimentado. Sim, experimentado. Era como tomar um peiote ou se acabar em bezendrina. A viagem de Rothko foi algo inesperado para o Jack bobão, mas também mexeu demais com o velho que dormia dentro de mim. Acho que foi a partir dali que compreendi a distância entre a vida interna e essa porcaria de existência na realidade, uma chatice com um monte de gentes pegando no seu saco e querendo arrancar suas bolas. Ainda fosse de raiva, mas era tudo antropofagia.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem tiver oportunidade de reverenciar a arte desse imigrante russo e perceber a fidelidade em que atinge a noção do espiritual vai conseguir, silenciosamente, encostar a ponta de sua consciência na verdade suprema. E dali em diante, se for nobre e tiver coragem para negar a covardia, vai compreender o quanto estúpido é ligar preferencialmente para as coisas. Por mais que elas sejam nossas extensões, são também descartáveis e perecíveis. Ou seja, invaliosas para a verdade suprema do seu Espírito.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter" src="http://jackerouac.files.wordpress.com/2012/01/rothko.jpg?w=580&h=843" alt="" width="580" height="843" /></p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-42/'>Capítulo 42</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/359/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&#038;blog=10128905&#038;post=359&#038;subd=jackerouac&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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