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		<title>Kerouac Vs Duluoz</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 02:54:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 43]]></category>
		<category><![CDATA[Kerouac por ele mesmo]]></category>
		<category><![CDATA[Lowell]]></category>
		<category><![CDATA[On The Road]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebo um telefonema de Raphaello Scoth, meu contato no NYTimes. &#8220;J. o Gary entrou de férias, cara. Seu livro já era meu camarada. Estou envergonhado, envergonhado&#8230; Maldito Gary. Ele tinha me confirmado, na próxima sexta, na próxima sexta&#8220;! Filho da puta<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=364&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Recebo um telefonema de Raphaello Scoth, meu contato no NYTimes. &#8220;J. o Gary entrou de férias, cara. Seu livro já era meu camarada. Estou envergonhado, envergonhado&#8230; Maldito Gary. Ele tinha me confirmado, <em>na próxima sexta, na próxima sexta</em>&#8220;! Filho da puta bastardo, penso. Diga a ele que quando eu for lido por metade da América, sua crítica já não vai adiantar nada. Desliguei o telefone bastante puto. Maria estava com o cigarro em mãos, encostada na cama e me olhando.<br />
- Não fique desesperado. Venha aqui.<br />
Eu não consigo me controlar e nada me deixara mais confortável. Eu tinha que poder esbravejar:<br />
- Como não! Gary Strandy é o único crítico na América que poderia dizer algo respeitável sobre o meu livro. E ele leu, tenho certeza. Mas que vacilo, mas que vacilo &#8211; soco o ar. Ela se assusta com meus gestos e fecha sua expressão.<br />
Passa um tempo e o telefone volta a tocar, Maria apaga o meu cigarro e retira o lençol de sobre o seu corpo. A chamada do aparelho parece pertubar minha cabeça. abandono a visão afrodisíaca &#8211; Maria tenta tirar minha atenção ao chamado, e persigo a possibilidade de boas notícias.<br />
- Alô!?<br />
- J.?<br />
- Sim, é você de novo Scoth?<br />
- J. Te prepara irmão. Te prepara por que eu tenho uma bomba.<br />
- Hey Scoth, não fala assim meu camarada. Há dez minutos atrás você já me esfaqueou o peito, agora pensa em cravar a lâmina?<br />
- Calma J. É coisa boa&#8230; quer dizer, pode ser. Temos que esperar. Depois de amanhã sai, tenho certeza.<br />
- Cara não estou te entendendo. Seu frangote estranho, se você estiver aprontando com a minha cara&#8230; ainda bem que estou numa onda de paz. A sabedoria oriental tem me dado muita força. Tenho aprendido uns segredos e a violência não faz parte deles.<br />
- J., a porra da resenha vai sair depois de amanhã, cara! O novo crítico chegou na redação ontem, mas logo viu seu livro. Ele se lembrou do seu nome e parece ter dito à Michele que adorou <em>Cidade pequena, cidade grande</em>.<br />
-Sério?<br />
-Porra! Cara, ele levou O Livro* para casa e disse que vai apresentar o texto na próxima sexta. Parece que o Gary armou tudo. Tirou o dele da reta e deixou para o substituto a missão de criticar &#8220;o novo fenômeno da América&#8221;!<br />
-Ann&#8230; que porra é essa Scoth!? Tá ficando louco?<br />
-J. foi isso que Gary escreveu no bilhete que deixou para o substituto.<br />
- Como deu tempo para você conseguir todas essas informações, não tinha nem dez minutos que você me ligou?<br />
-Foi a Michele, tenho um contato forte na parte de crítica literária.<br />
- Saquei, ela também escreve?<br />
-Não, limpa!<br />
Bom, confiar em uma faxineira às vezes é mais lucrativo do que pegar informação num balcão de informações. Mas elas também custumam exagerar. Isso é fato. De qualquer forma, quando desliguei o telefone, Maria já devia estar em seu 3º sono. Talvez pensando em mim, talvez não. Seu ar sereno, seus traços latinos, sua pele, boca. Era tudo uma só inspiração para a felicidade.<br />
Um livro aceito, dinheiro por palavras. Talvez pudesse mudar a minha vida, transformar meu sonho em realização. Já sei o que fazer, escrever mais, mais e mais. Quem sabe, a loucura consuma meu tecido e eu me perca de vez. O sucesso é um perigo. É ele o cetro da vaidade.<br />
Resolvi acender um cigarro enquanto refletia sobre o depois de amanhã.**</p>
<p style="text-align:justify;">* <em>On the road<br />
** Primeiramente publicado em <a href="http://verbeat.org/letitbeatnik">http://verbeat.org/letitbeatnik</a> como &#8220;Benvindo ao sonho americano&#8221;</em></p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-43/'>Capítulo 43</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/364/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=364&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Kerouac Vs Rothko</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 02:47:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 42]]></category>
		<category><![CDATA[Eua]]></category>
		<category><![CDATA[Pintura]]></category>
		<category><![CDATA[Suicídio]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos anos 50 o mundo estava mudando e nem todo mundo sabia disso. Era o jazz explodindo em novas formações, o consumo se tornando lei, a TV e tudo mais transformando a vidinha fácil do interior em uma rotina de<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=359&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Nos anos 50 o mundo estava mudando e nem todo mundo sabia disso. Era o jazz explodindo em novas formações, o consumo se tornando lei, a TV e tudo mais transformando a vidinha fácil do interior em uma rotina de trabalho e fumaça. Os carros ficavam cada vez mais barulhentos e as garotas cada vez mais espertas e, por isso, faziam as coisas alucinarem na frente de qualquer um. Ser reconhecido se tornou condição para se existir na América e eu queria muito ser alguém. Lutei contra as minhas angústias depressivas e passei um bom tempo batendo com a cara na parede.<br />
Nesta época havia um tipo de gente, uma classe especial de artistas que mesmo quando uma editora recusava os meus manuscritos, me dava força para continuar tentando. Eles confirmavam com imagens, sons e movimentos o que eu queria fazer com as palavras. O que almejávamos estava por trás do que dizíamos e isso era o retrato desse momento. Trouxemos de volta a vida para a arte, detonando aquele formalismo fechado e cheio de esquemas. Por mais que nossos trabalhos fossem bem literais, alguns eram absurdamente abstratos e dependiam do acaso. Outros, racionais ao extremo, transformavam o inesperado em algo um tanto previsível, porém sem qualquer tradução simbólica. Os americanos estavam buscando desesperadamente as coisas e seus conteúdos e, nós, enxergando o espírito da geração de forma completa, olhando para o pano sem fundo e vazio que se encontrava por trás da existência.</p>
<p style="text-align:justify;">Com o tempo, descobri que estes chapas gostavam da mesma literatura que eu, quase todos vinham do mestre Dostoiévski e tinham sua admiração por Kafka, Nietzsche e mesmo Jack London. Um dos que mais me encantou com a sua melancolia e ao mesmo tempo, sabedoria louca, foi Mark Rothko. Conhecia seus trabalhos desde o tempo em que freqüentei a Columbia, mas na época ele pouco impressionava. Finalmente, quando eu lancei O Livro ele também fez uma exposição dos abstratos mais pertinentes que já havia experimentado. Sim, experimentado. Era como tomar um peiote ou se acabar em bezendrina. A viagem de Rothko foi algo inesperado para o Jack bobão, mas também mexeu demais com o velho que dormia dentro de mim. Acho que foi a partir dali que compreendi a distância entre a vida interna e essa porcaria de existência na realidade, uma chatice com um monte de gentes pegando no seu saco e querendo arrancar suas bolas. Ainda fosse de raiva, mas era tudo antropofagia.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem tiver oportunidade de reverenciar a arte desse imigrante russo e perceber a fidelidade em que atinge a noção do espiritual vai conseguir, silenciosamente, encostar a ponta de sua consciência na verdade suprema. E dali em diante, se for nobre e tiver coragem para negar a covardia, vai compreender o quanto estúpido é ligar preferencialmente para as coisas. Por mais que elas sejam nossas extensões, são também descartáveis e perecíveis. Ou seja, invaliosas para a verdade suprema do seu Espírito.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter" src="http://jackerouac.files.wordpress.com/2012/01/rothko.jpg?w=580&#038;h=843" alt="" width="580" height="843" /></p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-42/'>Capítulo 42</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/359/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=359&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Kerouac vs Moriarty</title>
		<link>http://jackerouac.com/2011/12/29/kerouac-vs-moriarty/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Dec 2011 20:18:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 41]]></category>
		<category><![CDATA[Beatnik]]></category>
		<category><![CDATA[Neal Cassady]]></category>
		<category><![CDATA[On The Road]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Depois de tudo o que tinha acontecido com Phillip, fiquei um pouco atordoado. Não quis nem saber de Janie ou de ninguém. Voltei para aquela maldita agência e esperei um navio que me levasse o mais longe possível. Queria sair da minha vida mais uma vez. Mas dessa vez com força e solitário. Sou um peregrino em busca de luz, persigo seu rastro cego. Entretanto, havia uma coisa que estava me incomodando muito. Mesmo que a solução fosse ir, meus sonhos não têm me avisado sobre. Sempre que sei que vou embarcar, passo várias semanas sonhando com o mar, os navios e toda a presença imanente de Netuno, o senhor do oceano espiritual. São viagens surrealistas e sempre muito edílicas, porém realistas o suficiente para que o mais insensível pudesse se sentir como a totalidade. Um drama molhado e volátil.Consegui embarcar em um com destino ao porto gelado da Finamarca, quase no Ártico. Por sorte, penso em dar o fora quando estivermos no porto mais louco do mundo – Amsterdã! Pelo o que eu ouvi dizer, lá recebe gente insandecida de toda a parte do mundo, é um dos portos com mais embarcações estrangeiras por chegada. Muitos chineses gostam de lá, russos também. O navio ainda estava ancorado e o capitão fazia o reconhecimento da tripulação. Eu tinha mais experiência, era a minha nona viagem, por isso, me deram um cargo mais digno que simplesmente limpador detalhista de privadas ou descascador de vômito agarrado no tapete do salão. Agora eu serei o rapaz do rodo que limpa os corredores nas quintas, sábados e  domingos, deixando o convés para os dias restantes. Quem sabe num próximo, consigo chegar mais perto do cassino? Com minha sorte, me tornaria rapidamente “o jogador”, sendo procurado  pela fortuna da minha presença. Na roleta, discretamente falaria a cor vencedora antes dela acabar de girar. Isso já chamaria a atenção, em seguida, me aproximaria de apostadores em ascendência, por fim, aceitaria qualquer gorjeta para mais tarde.<br />
Como sempre, o capitão era um imenso filho da puta e fez uns três desistirem. Eu já sabendo o protocolo, entrei em seus joguinhos ridículos, mas fiquei quieto e nada de mais aconteceu. Entretanto, ainda tínhamos  dois dias antes dele zarpar, um tremendo portal que poderia me levar para qualquer lugar, inclusive para longe do oceano.<br />
Cheguei na Washigton st. eram umas sete da noite, fui direto para o Louis tomar um xerez. Lá é um lugar bacana que a gente não frequenta, mas como não quero ver ninguém, o Louis era o melhor lugar. Mal sabia que Allen, um poeta que tenho conversado ultimamente, adorava o lugar e agora mesmo estava ali com algumas pessoas. Pelo jeito, nem todos poetas como ele. Quando me viu, acenou e depois de alguns minutos veio em minha direção e junto dele um outro cara, alto, cabelo castanho claro, mais novo do que nós, porém com a cara de quem tinha passado um tempo no reformatório, um verdadeiro galinho de briga formado nas ruas de alguma grande cidade da América e que se sentia o durão em Nova York.</p>
<p style="text-align:justify;">“E ai, Allen”</p>
<p style="text-align:justify;">“Como vai J. Este é Neal”</p>
<p style="text-align:justify;">“Beleza, Neal”. Nos cumprimentamos.</p>
<p style="text-align:justify;">“Tranquilo J. Allen me disse que você é escritor?”</p>
<p style="text-align:justify;">“Pois é, escrever é a única coisa que consigo fazer de forma interessante. Queria ser jogador de futebol, mas meu karma não deixou…”</p>
<p style="text-align:justify;">“Puts, karma? Ah, Allen, esse cara aqui acredita nessas coisas de horóscopo de mulherzinha.”<br />
Não acreditei no que ouvia. Fiquei estatelado com a falta de etiqueta do colega. Seu sotaque era do sul e do oeste ao mesmo tempo. Allen também ria da observação de Neal.<br />
“Hei, J. meu Saturno está querendo encontrar Vênus, tem alguma coisa de Netuno por ai?”</p>
<p style="text-align:justify;">O garotão riu por que não entendeu, mas essa era a senha para que a máxima voltagem fosse despertada. Netuno além de ser o deus dos oceanos, era também o pai dos vícios e êxtases, o verdadeiro Fausto da modernidade. “Claro, Allen, meu sol hoje está em harmonia com a lua, acho que entro logo em sagitário”. Tinha preparado alguns para a viagem, mas resolvi abrir minha mochila para que pudéssemos aproveitar o melhor da noite. Descemos do bar e fomos para o apê de Allen. Antes, compramos algumas garrafas de vinho do porto, queríamos reviver o Século XIX, fingíamos que éramos Flaubert, Baudelaire, mas Neal achou que eu me identificava mais com Victor Hugo. A princípio achei aquilo uma afronta, mas pensei, “pelo menos o maldito faz metáforas”!<br />
Comemos o vinho e bebemos o haxixe, como o nobre comedor de ópio. A cidade estava toda iluminada, porém nossas lanternas se restringiam àquele pequeno quarto alugado. Ao todo, éramos sete. Neal estava com sua companheira, Maggie. Marta, Gorck, Beth, Allen e eu completavam o elenco.Fiquei na dúvida se tudo aquilo era real ou apenas estava tendo um sonho premonitório. Tudo parecia inadvertidamente claro e a nova visão não era nada mais que aceitar o caminho como uma possibilidade de beatitude e tudo o que fosse feito e encontrado durante a passagem, tudo mesmo, seria sagrado.<br />
A viagem, o assassinato, a prisão e novamente, uma outra viagem. Tudo isso girando em um ciclo fechado e tendencioso. Este pequeno instante da minha vida me mostrou que realmente a viagem era o que deveria fazer. Mas mal poderia supor que iria para muito longe das águas do atlântico, correria mais ainda para o continente.<br />
A admiração por Neal se tornou imediata, ele podia sim, se tornar um escritor, mas tudo dependerá do quanto conseguirá deixar de lado a si mesmo. E antes de querer escapar da vida em um navio cheio de marinheiros, minha vontade era que tudo tivesse algum sentido novamente. Por isso, desde a primeira vez que me convidou para passar um tempo em Denver, mesmo que tivesse cinco minutos de convivência, sabia que esse seria o meu caminho. Abandonei a ideia de zarpar e passei a frequentar mais a casa de Allen. Isso ainda durou algumas semanas até que tudo REALMENTE acontecesse.</p>
<p>*</p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-41/'>Capítulo 41</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/351/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=351&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Kerouac Vs o Existencialismo</title>
		<link>http://jackerouac.com/2011/12/26/kerouac-versus-o-existencialismo/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 21:38:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 40]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Ver a vida passar diante do nariz. É isso que a maioria das pessoas costumam fazer em seus cotidianos lentos e melancólicos. No inverno, os rostos e as felicidades são diminuídas pelas necessidade de se ver constantemente e além disso,<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=338&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Ver a vida passar diante do nariz. É isso que a maioria das pessoas costumam fazer em seus cotidianos lentos e melancólicos. No inverno, os rostos e as felicidades são diminuídas pelas necessidade de se ver constantemente e além disso, sempre abrigados em algum lugar que não seja lá fora. Meu Deus!!! A cada segundo eu me imagino terrivelmente longe de qualquer pessoa e no momento seguinte, uma dor silenciosa e cheia de vazios me faz temer a solidão. Olho para o caminho e não vejo absolutamente nada. Há uma luminosidade opaca que impede qualquer coerência em termos de forma ou expressão. Sinto-me obrigado a dar passos a diante, como se estivesse impelido por uma força que vai além da minha própria vontade. É uma espécie de caos que me abraça e roça a noite fria em minhas orelhas. Porém meu pé soluça pela estrada sem muito vigor ou coragem para reagir aos obstáculos.</p>
<p style="text-align:justify;">A alma parece chorar copiosamente, escapando aos meus dedos e espalhando-se pelo chão amargo da existência. As palavras que rolam pelo papel são vis e mal-educadas, não querem exatidão, muito menos razão. Preferem a ofensa e o mal-dizer. Xingam quaisquer olhos que as visualizem. Odeia a rítmica e a métrica, deixa-as ocultas na inversão de suas pretensões.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando se faz um ensaio sobre o que não pode ser dito é preciso deixar bem claro para seus olhos que não há possibilidade alguma de se encontrar uma verdade por trás do desejo de agir ou viver. Aqueles que se esfacelaram acabaram se deparando com obstruções que comiam-lhes a mais sagrada de todas as fronteiras &#8211; a desrazão. Esses, tal como eu, não souberam precisar qualquer natureza que possa explicar a grandeza e a pequenez da alma e do homem. Fico repartido em dúvidas sobre como adquirir menos inércia e repetição se a minha vontade própria prefere sonhar com o movimento a realizar timidamente seus feitos.</p>
<p style="text-align:justify;">O mundo podia acontecer de uma hora para a outra!</p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-40/'>Capítulo 40</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/338/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/338/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/338/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/338/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/338/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/338/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/338/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/338/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/338/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/338/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/338/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/338/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/338/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/338/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=338&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Kerouac Vs o Karma</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Sep 2011 05:28:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 39]]></category>
		<category><![CDATA[águas]]></category>
		<category><![CDATA[cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Karma]]></category>
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		<description><![CDATA[ Uma vez eu sonhei com uma chuva que nunca parava. De tanta água caindo sobre a América, me restava apenas ir para o telhado de nosso apartamento em Ozone Park, Nova York. Porém, meu corpo abatido pelo abuso, pesava sobre<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=332&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"> Uma vez eu sonhei com uma chuva que nunca parava. De tanta água caindo sobre a América, me restava apenas ir para o telhado de nosso apartamento em Ozone Park, Nova York. Porém, meu corpo abatido pelo abuso, pesava sobre a cama e sobre meu sonho. Fiquei com tanta preguiça que esperei ela chegar na beira da janela. Joguei-me pelo sofá e sai nadando por Manhattan.</p>
<p style="text-align:justify;">Percebi que era possível respirar debaixo d água e que nem todos aqueles que me acompanhavam tinham a mesma desenvoltura que eu. Meus pensamentos guiavam a velocidade do meu corpo e fui navegando imerso em uma cidade líquida. Primeiro, fiquei preocupado com meus amigos. Pensei neles e vi um cardume de elétrons seguindo em direção aos seus endereços. Via refletido nas janelas dos prédios, como estava um por um.</p>
<p style="text-align:justify;">Fiquei surpreso quando reconheci <em>Birdcage </em>como cenário habitado por Peter e Allen. Guiei meu corpo-pensamento para o local. De repente um medo súbito percorreu minha espinha. Uma remexida na água me fez lembrar de suas profundezas e monstros. Um mundo aquático é povoado por predadores e seres desconhecidos. Logo, logo crocodilos e tubarões estariam tomando os territórios.</p>
<p style="text-align:justify;">Então, interrompi meu caminho e nadei para o alto. Subi em direção à chuva. Depois de algum esforço, consegui, enfim, alcançar o limítrofe da água. Avistei corpos espalhados. Percebi que todos eram adultos e mais velhos. Suas roupas demonstravam a classe social que correspondiam. Havia roupas, jóias e muitas notas de dólares espalhadas pelas águas. Já não havia superfície maior que a elevação do nível – Nova York inteira estava submersa.</p>
<p style="text-align:justify;">Essa visão me livrou do medo oceânico e consegui me transferir para a casa noturna. Entrei nadando pela porta da frente e logo vi na pista, uma galera de <em>hippister</em> felizes, se divertindo ao som dos melhores jazzistas da cidade. Vagabundos, bêbados, pequenos marginais, poetas frustrados, piranhas devotas, todo o tipo de gente que se encontra uma vez ou outra  na noite, estavam todos reunidos de uma só vez. Como se a chuva tivesse os levado para lá.</p>
<p style="text-align:justify;">Não consegui entender muito como aquilo tudo estava se dando. Cada vez mais me colocava dentro do mundo onírico, como se estivesse sendo seduzido por um sonífero perfumado, levando-me para um estágio mais profundo e menos narrativo do sono. Apenas sei que os instrumentos tocavam e que os corpos se mexiam e os sorrisos cheios de bolhas jorravam sobre todos! As bebidas eram espalhadas dentro da água e por causa da cor e da densidade, por alguns momentos, uma turma se juntava e todos bebiam do álcool espalhado pela atmosfera líquida.</p>
<p style="text-align:justify;">Tentei relutar, mas não consegui. Fui deslocado para outra zona de atuação noturna. Já não estava mais submerso e sim, em uma montanha iluminada pelo sol do oriente. Minha alma ainda escutava os redemoinhos e as ondas da chuva. Encontrei-me diante um mestre ZaZen. Ao invés de perguntar qualquer coisa do tipo “por que estou aqui” ou “você é real?”, sentei-me de frente, observando os mínimos detalhes para que não o incomodasse. Sei que o sujeito poderia passar meses sentado, entretanto, confiava que haveria algum tipo de mensagem para mim.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele não parecia antipático e então, comecei a assoviar um cântico que havia decorado anos atrás. Por incrível que pareça, eu sabia tudinho, lembrava toda a melodia, era como se eu tivesse acessado o local e a hora exata em que eu ouvi aquilo pela primeira vez. O mestre foi saindo de seu transe e aos poucos foi se expressando para mim. Quando já estava restabelecido, me cumprimentou e disse, “Ola”. Respondi com um gesto de respeito e fiz minha reverência taoísta, sempre aconselhada para os grandes santos sagrados. Ele sorriu:</p>
<p style="text-align:justify;">- Pequeno K., o que resta ao centeio senão ser cortado do campo?</p>
<p style="text-align:justify;">- Saber que saciará a fome de alguns e que sua vida será renovada pela natureza.</p>
<p style="text-align:justify;">- Então, ele deve se deixar ir?</p>
<p style="text-align:justify;">- Não, apenas ter certeza de que sempre haverá uma solução que tende ao equilíbrio e ao movimento.</p>
<p style="text-align:justify;">O mestre em suas roupas simples, agora nos guiava em uma jangada. Logo pensei em Sidarta, em Hermann Hesse. Estávamos atravessando um rio também. Entretanto, poluído, desgraçado pela corrupção e ignorância humana. A pobreza de alma dos que tinham poder e a falta de esperança dos desprovidos de assistência, gerou um caos irracional no formato daquela cidade.  Parecia uma cidade invisível de Calvino. Descíamos por um rio estreito e mal-cheiroso. Nas margens, carros e outros veículos circulavam em velocidades alucinantes. O barulho das sirenes, do atrito com o asfalto e de toda a vida urbana, entrava mem mim como se fossem espinhos. Era preciso fechar os olhos para poder suportar aqueles raios sônicos.</p>
<p style="text-align:justify;">Paramos em uma das margens e fui recebido por um grupo de mulheres. Estavam  me esperando. Levaram-me para uma espécie de feira, onde se encontrava de tudo, desde frutas a peças de automóvel, desde potes antigos de perfumes a artigos exóticos do oriente. As garotas eram como ninfas e pareciam flutuar. Tagarelavam entre si sobre assuntos que diziam ao meu respeito, porém fora do meu repertório consciente. Eram lindas, de várias idades e para cada uma havia uma energia diferente, um tipo de emoção ou pensamento reservado, como se as conhecesse de eras, mas em tempos diferentes. Resolvi interagir ao invés de simplesmente me deixar guiar. “A que caminho me levam”, perguntei. Para a tenda! Responderam juntas. Antes que pudesse falar, um delas, loira com feições sinceras e justas, introduziu:</p>
<p style="text-align:justify;">- A tenda é onde esperam você. “E o que tem lá”, você me perguntaria. Pois bem, ninguém sabe. Por isso estamos esperando você. É o único que pode entrar e descobrir o grande mistério – e todas repetiram, <em>o graaaande mistério</em>!</p>
<p style="text-align:justify;">Uma vontade louca em atender estes apelos me fez seguir adiante. Pensei estar inebriado pela beleza das mulheres e, por um momento, também cheguei a concluir que poderia estar caindo em uma armadilha: <em>qualquer um que aparecesse ali, era tratado dessa forma. E na tal tenda, um bicho ou maníaco era alimentado pela curiosidade e vontade de triunfar. Pareço estar sendo guiado para a berlinda.</em></p>
<p style="text-align:justify;">É óbvio que quero ser o pavão, quem não gostaria? &#8211; pensei.</p>
<p style="text-align:justify;">E até agora não sei exatamente o que aconteceu. Fui acordado pela minha mãe com dois comprimidos e um copo de água.</p>
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<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-39/'>Capítulo 39</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/332/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=332&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Kerouac vs Warhol</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Apr 2011 15:37:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 38]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 60]]></category>
		<category><![CDATA[Eua]]></category>
		<category><![CDATA[Factory]]></category>
		<category><![CDATA[Pop Art]]></category>

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		<description><![CDATA[E lá vinha aquela bichinha em seus passos trôpegos, seu cabelo pousando no meio da cara e sua boca enrugada feito um cu. E caminhava como uma dama ou mesmo uma rainha. Seu olhar fundou o blazé na América.    <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=319&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family:verdana,geneva;font-size:xx-small;">E lá vinha aquela bichinha em seus passos trôpegos, seu cabelo pousando no meio da cara e sua boca enrugada feito um cu. E caminhava como uma dama ou mesmo uma rainha. Seu olhar fundou o <em>blazé</em> na América.<br />
</span>    <span style="font-family:verdana,geneva;font-size:xx-small;">E lá vinha aquela bichinha com uma polaroid na mão.<br />
</span>    <span style="font-family:verdana,geneva;font-size:xx-small;">- Oi, bonitão! – disse abrindo aquela boca cheia de dentes feios e quase podres. Fiz cara fechada, mas foi impossível não responder. O que você quer? Muitas coisas! Respondeu sorrindo ainda mais. Franzi a testa e perdi um pouco da minha paciência. Eu já tinha tomado algumas e as papas não estavam na língua mais.<br />
</span>    <span style="font-family:verdana,geneva;font-size:xx-small;">- Sabe Andy, eu até gosto de você – seu sorriso aumentou de tal maneira que ouvi até um uivo vindo de sua garganta. Principalmente, longe de mim!<br />
</span><span style="font-family:verdana,geneva;font-size:xx-small;">Não pude agüentar aquele bafo escroto, dei um empurrão nele e sai para o balcão. Nem olhei pra trás. Depois me disseram que ele ficou uns bons dez minutos me olhando com ódio, como se fosse querer me matar. Eu nem me importei, muito menos a garrafa de whisky que estava me acompanhando. A manhã chegou, eu fechei os olhos e nem lembrei mais do caso.<a href="http://amadeo.blog.com/repository/1162083/3159459.jpg"><img title="polaroid de si mesmo - andy warhol" src="http://amadeo.blog.com/repository/1162083/3159459.177.235.c.tn.jpg" alt="polaroid de si mesmo - andy warhol" width="177" height="235" align="right" border="2" hspace="2" /></a><br />
</span>    <span style="font-family:verdana,geneva;font-size:xx-small;">O problema foi que a bicha parece ter ficado ofendida e começou a queimar meu filme em Nova York. Primeiro , ligou para uns caras da editora e pediu para não publicarem a reedição de On the road. Não sei de onde ele tirou poder e cara de pau para tanto. O foda era que ele sabia de muitas coisas e por isso tinha meio mundo em suas mãos. Apesar dessa tentativa, eu consegui ser mais influente do que ele e a edição finalmente saiu.<br />
</span>    <span style="font-family:verdana,geneva;font-size:xx-small;">E ele tentou mais algumas vezes, de outros modos, acabar comigo. Até que, finalmente, no outono de 1962 eu recebo um convite para uma vernissage num endereço louco entre a primeira e a segunda avenida – pouco depois o lugar ficou conhecido. O que parece é que Warhol queria é que eu fosse o seu debbut naquele lugar – o prato principal de sua sandice. Quis armar para cima de mim.<br />
</span>    <span style="font-family:verdana,geneva;font-size:xx-small;">Fui para o lugar com o pé atrás, mas alguma coisa me intuía para comparecer ao local. Tomei um baita susto quando vi que era um armazém abandonado e que ficava no meio do nada. No portão havia uma seta apontando para uma pequena porta e sobre a seta, uma frase bem sugestiva: “entrada para Jacks”. Ri da piada e me senti até meio lisonjeado. Entrei. O lugar estava escuro, mas tinha um cheiro incrível de flores e um barulho de engrenagens ao fundo, parecia que quando as luzes fossem acesas iriam ter ali uma quantidade enorme de abelhas catando mel.</span></p>
<p><span style="font-family:verdana,geneva;font-size:xx-small;">Dei meus primeiros passos e de repente ouço um estalo, são as luzes. Elas se acendem aos poucos e percebo que não existe qualquer sinal de flores ou algo assim. Odores sem flores, nem abelhas zumbidos. Na hora eu até pensei que estava sonhando. Para minha surpresa, um anão pelado - apenas usando uma gravata borboleta, saiu de não sei onde e veio em minha direção com uma bandeja. Nela havia um copo com água. Quando o pequeno ser bizarro chegou até mim, percebi um bilhete sobre o metal da bandeja.  “É  <span style="font-family:verdana,geneva;font-size:xx-small;">para o senhor, cortesia de meu mestre”. Agora, eu tinha certeza que estava em um pesadelo. Retirei o bilhete e percebi que ele estava sobre uma foto. Era uma polaroid e estava virada de cabeça para baixo.<br />
</span>    <span style="font-family:verdana,geneva;font-size:xx-small;">Abri o papel e li: “Jack, você nunca mais vai deixar de ser o Jack beberrão. Eu ainda SEREI e vou ver enterrarem você sem qualquer honra. Aproveite enquanto eles ainda te toleram e beba este veneno que eu mesmo preparei para você. Quem sabe, eles te mandem flores ou façam até uma placa. Com amor, Andie!”<br />
</span>    <span style="font-family:verdana,geneva;font-size:xx-small;"><span style="font-family:verdana,geneva;font-size:xx-small;">Todos os demônios da China medieval vieram ao meu encontro me dando vontade de acabar com o pouco de vida que havia naquele corpo de anão. Mas eu sabia que ele era apenas o emissário e que seu “mestre”, devia estar escondido em algum lugar rindo da minha cara. Amassei e isolei aquele bilhete ridículo. Apertei o passo e já estava saindo quando escutei algo zunindo atrás de mim. Era a porra do anão com a foto na mão. “Joga isso fora pequena pérola do oriente. E manda o seu mestre ir dar a bunda pro elefante, vai ver assim ele aprende a ser alguém nessa vida!” Ele continuou exalando alguns sons e não sei por que, fui pegar a tal da foto. Só lamento Andy, só lamento.</span></span></span></p>
<div><a href="http://amadeo.blog.com/repository/1162083/3159485.jpg"><img src="http://amadeo.blog.com/repository/1162083/3159485.jpg" alt="" align="bottom" /></a></div>
<p> </p>
<p><span style="font-family:verdana,geneva;font-size:xx-small;"><br />
 </span></p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-38/'>Capítulo 38</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/319/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/319/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/319/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/319/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/319/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/319/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/319/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/319/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/319/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/319/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/319/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/319/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/319/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/319/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=319&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Bardo Epopéia</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Apr 2011 04:34:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 37]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://jackerouac.wordpress.com/?p=317</guid>
		<description><![CDATA[O cigarro havia se apagado no ar A bebida encostava na blusa de tartan Meus sonhos tinham sido esquecidos no banheiro E numa porta de saloon, apresentou-se fina luz Uma reluzente donzela, com  lábios de mel e passos enérgicos E<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=317&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O cigarro havia se apagado no ar</p>
<p>A bebida encostava na blusa de tartan</p>
<p>Meus sonhos tinham sido esquecidos no banheiro</p>
<p>E numa porta de saloon, apresentou-se fina luz</p>
<p>Uma reluzente donzela, com  lábios de mel e passos enérgicos</p>
<p>E veio, e sentou-se em mim</p>
<p>E em mim, discutiu com as palavras que meus ouvidos desejavam</p>
<p>E me fez ver o sorriso mais possível</p>
<p>E encontrou com astúcia, a sensação que havia se perdido em meu chakra</p>
<p>Quando encosto-me em seu corpo, e não falo só de sexo</p>
<p>Não puxo ou sou puxado</p>
<p>Fico no meio termo, no perder e ganhar, no reproduzir, no entrelugar</p>
<p>Algo de concreto-inconcreto provável-improvável fecunda</p>
<p>O equilíbrio do Yin, do Yang</p>
<p>Uma nova energia, inédita: a nossa!</p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-37/'>Capítulo 37</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/317/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/317/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/317/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/317/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/317/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/317/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/317/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/317/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/317/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/317/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/317/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/317/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/317/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/317/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=317&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O Uivo – Allen Ginsberg</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Apr 2011 03:49:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo Extra]]></category>
		<category><![CDATA[Beatnik]]></category>
		<category><![CDATA[Ginsberg]]></category>
		<category><![CDATA[On The Road]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca uma dose violenta de qualquer coisa “hipsters” com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=314&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1><span style="font-size:13px;font-weight:normal;">Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca uma dose violenta de qualquer coisa “hipsters” com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite, que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das cidades contemplando jazz, que desnudaram seus Cérebros ao céu sob o Elevados e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cômodos, que passaram por universidades com olhos frios e radiantes alucinando Arkansas e tragédias à luz de William Blake entre os estudiosos da guerra, que foram expulsos das universidades por serem loucos &amp; publicarem odes obscenas nas janelas do crânio, que se refugiaram em quartos de paredes de pintura descascada em roupa de baixo queimando seu dinheiro em cestas de papel, escutando o Terror através da parede.</span></h1>
<p>Que foram detidos em suas barbas púbicas voltando por Laredo com um cinturão de marijuana para Nova York, que comeram fogo em hotéis mal-pintados ou beberam terebentina em Paradise Alley, morreram ou flagelaram seus torsos noite após noite com sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília, álcool e caralhos e intermináveis orgias, incomparáveis ruas cegas sem saída de nuvem trêmula e clarão na mente pulando nos postes dos pólos de Canadá &amp; Paterson, iluminando completamente o mundo imóvel do Tempo intermediário, solidez de Peiote dos corredores, aurora de fundo de quintal com verdes árvores de cemitério, porre de vinho nos telhados, fachadas de lojas de subúrbio na luz cintilante de neon do tráfego na corrida de cabeça feita do prazer, vibrações de sol e lua e árvore no ronco de crepúsculo de inverno de Brooklyn, declamações entre latas de lixo e a suave soberana luz da mente, que se Acorrentaram aos vagões do metrô para o infindável percurso do Battery ao sagrado Bronx de benzedrina até que o barulho das rodas e crianças os trouxesse de volta, trêmulos, a boca<br />
arrebentada e o despovoado deserto do cérebro esvaziado de qualquer brilho na lúgubre luz do zoológico, que afundaram a noite toda na luz submarina de Bickford’s, voltaram à tona e Passaram a tarde de cerveja choca no desolado Fuggazi’s escutando o matraquear da catástrofe na vitrola automática de hidrogênio, que falaram setenta e duas horas sem parar do parque ao apê ao bar ao Hospital Bellevue ao Museu à Ponte de Brooklyn, batalhão perdido de  Debatedores platônicos saltando dos gradis das escadas de emergência dos parapeitos das janelas do Empire State da Lua, tagarelando, berrando, vomitando, sussurrando fatos e lembranças e anedotas e viagens visuais e choques nos hospitais e prisões e guerras,<br />
intelectos inteiros regurgitados em recordação total com os olhos brilhando por sete dias e noites, carne para a sinagoga jogada na rua, que desapareceram no Zen de Nova Jersey de lugar algum deixando um rastro de cartões postais ambíguos do Centro Cívico de Atlantic City,sofrendo suores orientais, pulverizações tangerianas nos ossos e enxaquecas da China por causa da falta da droga no quarto pobremente mobiliado de Newark, que deram voltas e voltas à meia-noite no pátio da estação ferroviária perguntando-se onde ir e foram, sem deixar corações partidos, que acenderam cigarros em vagões de carga, vagões de carga, vagões de carga que rumavam ruidosamente pela neve até solitárias fazendas dentro da noite do avô, que estudaram Plotino, Poe, São João da Cruz, telepatia e bop-cabala pois o Cosmos instintivamente vibrava a seus pés em Kansas, que passaram solitários pelas ruas de Idaho procurando anjos índios e visionários que eram anjos índios e visionários, que só acharam que estavam loucos quando Baltimore apareceu em êxtase sobrenatural, que pularam em limusines com o chinês de Oklahoma no impulso da chuva de inverno na luz das ruas de cidade pequena à meia-noite, que vaguearam famintos e sós por Houston procurando jazz ou sexo ou rango e seguiram o espanhol brilhante para conversar sobre América e Eternidade, inútil tarefa, e assim embarcaram num navio para a África, que desapareceram nos vulcões do México nada deixando além da sombra das suas calças rancheiras e a lava e a cinza da poesia espalhadas na lareira Chicago, que reapareceram na Costa Oeste investigando o FBI de barba e bermudas com grandes olhos pacifistas e sensuais nas suas peles morenas, distribuindo folhetos ininteligíveis, que apagaram cigarros acesos nos seus braços protestando contra o nevoeiro narcótico de tabaco do Capitalismo, que distribuíram panfletos supercomunistas em Union Square, chorando e despindo-se enquanto as sirenes de Los Alamos os afugentavam gemendo mais alto que eles e gemiam pela Wall Street e também gemia a balsa de Staten Island, que caíram em prantos em brancos ginásios desportivos, nus e trêmulos diante da maquinaria de outros esqueletos, que morderam policiais no pescoço e berraram de prazer nos carros de presos por não terem cometido outro crime a não ser sua transação pederástica e tóxica, que uivaram de joelhos no Metrô e foram arrancados do telhado sacudindo genitais e manuscritos, que se deixaram foder no rabo por motociclistas santificados e urraram de prazer, que enrabaram e foram enrabados por esses serafins humanos, os marinheiros, carícias de amor atlântico e caribeano, que transaram pela manhã e ao cair da tarde em roseirais, na grama de jardins públicos e cemitérios, espalhando livremente seu sêmem para quem quisesse vir, que soluçaram interminavelmente tentando gargalhar mas acabaram choramingando atrás de um tabique de banho turco onde o anjo loiro e nu veio atravessá-los com sua espada, que perderam seus garotos amados para as três megeras do destino, a megera caolha do dólar heterossexual, a megera caolha que pisca de dentro do ventre e a megera caolha que só sabe ficar plantada sobre sua bunda retalhando os dourados fios intelectuais do tear do artesão, que copularam em êxtase insaciável com uma garrafa de<br />
cerveja, uma namorada, um maço de cigarros, uma vela, e caíram da cama e continuaram pelo assoalho e pelo corredor e terminaram desmaiando contra a parede com uma visão da buceta final e acabaram sufocando um derradeiro lampejo de consciência, que adoçaram as trepadas de um milhão de garotas trêmulas ao anoitecer, acordaram de olhos vermelhos no dia seguinte mesmo assim prontos para adoçar trepadas na aurora, bundas luminosas nos celeiros e nus no lago, que foram transar em Colorado numa miriade de carros roubados à noite, N.C. herói secreto destes poemas, garanhão e Adonis de Denver — prazer ao lembrar das suas incontáveis trepadas com garotas em terrenos baldios &amp; pátios dos fundos de restaurantes de beira de estrada, raquíticas fileiras de poltronas de cinema, picos de montanha, cavernas ou com esquálidas garçonetes no familiar levantar de saias solitário à beira da estrada &amp; especialmente secretos solipsismos de mictórios de postos de gasolina &amp; becos da cidade natal também, que se apagaram em longos filmes sórdidos, foram transportados em sonho, acordaram num Manhattan súbito e conseguiram voltar com uma impiedosa ressaca de adegas de Tokay e o horror dos sonhos de ferro da Terceira Avenida &amp; cambalearam até as agências de emprego, que caminharam a noite toda com os sapatos cheios de sangue pelo cais coberto por montões de neve, esperando que se abrisse uma porta no Bast River dando num quarto cheio de vapor e ópio, que criaram grandes dramas suicidas nos penhascos de apartamentos do Hudson à luz de holofote anti-aéreo da lua &amp; suas cabeças receberão coroas de louro no esquecimento,<br />
que comeram o ensopado de cordeiro da imaginação ou digeriram o caranguejo do fundo lodoso dos rios de Bovery, que choraram diante do romance das ruas com seus carrinhos de mão cheios de cebola e péssima música, que ficaram sentados em caixotes respirando a escuridão sob a ponte e ergueram-se para construir clavicêmbalos nos seus sótãos, que tossiram num sexto andar do Harlem coroado de chamas sob um céu tuberculoso rodeados pelos caixotes de laranja da teologia, que rabiscaram a noite toda deitando e rolando sobre invocações sublimes que ao amanhecer amarelado revelaram-se versos de tagarelice sem sentido, que cozinharam animais apodrecidos, pulmão coração pé rabo borsht &amp; tortillas sonhando com o puro reino vegetal, que se atiraram sob caminhões de carne em busca de um ovo, que jogaram seus relógios do telhado fazendo seu lance de aposta pela Eternidade fora do Tempo &amp; despertadores caíram nas suas cabeças por todos os dias da década seguinte, que cortaram seus pulsos sem resultado por três vezes seguidas, desistiram e foram obrigados a abrir lojas de antigüidades onde acharam que estavam ficando velhos e choraram, que foram queimados vivos em seus inocentes ternos de flanela em Madison Avenue no meio das rajadas de versos de chumbo &amp; o contido estrondo dos batalhões de ferro da moda &amp; os guinchos de nitroglicerina das bichas da propaganda &amp; o gás mostarda de sinistros editores inteligentes ou foram atropelados pelos táxis bêbados da Realidade Absoluta, que se jogaram da Ponte de Brooklyn, isto realmente aconteceu e partiram esquecidos e desconhecidos para dentro da espectral confusão das ruelas de sopa &amp; carros de bombeiros de Chinatown, nem mesmo uma cerveja de graça,<br />
que cantaram desesperados nas janelas, jogaram-se pela janela do metrô, saltaram no imundo rio Passaic, pularam nos braços dos negros, choraram pela rua afora, dançaram sobre garrafas quebradas de vinho descalços arrebentando nostálgicos discos de jazz europeu dos anos 30 na Alemanha, terminaram o whisky e vomitaram gemendo no toalete sangrento, lamentações nos ouvidos e o sopro de colossais apitos a vapor, que  andaram brasa pelas rodovias do passado viajando pela solidão da vigília de cadeia do Golgota de carro envenenado de cada um ou então a encarnação do Jazz de Birmingham, que guiaram atravessando o país durante setenta e duas horas para saber se eu tinha tido uma visão ou se você tinha tido uma visão ou se ele tinha tido uma visão para descobrir a Eternidade, que viajaram para Denver, que morreram em Denver, que retornaram a Denver &amp; esperaram em vão, que espreitaram Denver &amp; ficaram parados pensando &amp; solitários em Denver e finalmente partiram para descobrir o Tempo &amp; agora Denver está saudosa dos seus heróis, que caíram de joelhos em catedrais sem esperança rezando por sua salvação e luz e peito até que a alma iluminasse seu cabelo por um segundo, que se arrebentaram nas suas mentes na prisão aguardando impossíveis criminosos de cabeça dourada e o encanto da realidade nos seus corações que entoavam suaves blues de Alcatraz, que se recolheram ao México para cultivar um vício ou as  Montanhas Rochosas para o suave Buda ou Tanger para os garotos ou Pacifico Sul para a locomotiva negra ou Harvard para Narciso para o cemitério de Woodlawn para a coroa de flores para o túmulo, que exigiram exames de sanidade mental acusando o rádio de hipnotismo &amp; foram deixados com sua loucura &amp; suas mãos &amp; um júri suspeito, que jogaram salada de batata em conferencistas da Universidade de Nova York sobre Dadaísmo e em seguida se apresentaram nos degraus de granito do manicômio com cabeças raspadas e fala de arlequim sobre suicídio, exigindo lobotomia imediata, e que em lugar disso receberam o vazio concreto da insulina metrasol choque elétrico Hidroterapia psicoterapia terapia ocupacional pingue-pongue &amp; amnésia, que num protesto sem humor viraram apenas uma mesa simbólica de pingue-pongue, mergulhando logo a seguir na catatonia, voltando anos depois, realmente calvos exceto uma peruca de sangue e lágrimas e dedos para a visível condenação de louco nas celas das cidades-manicômio do Leste, Pilgrim State, Rockland, Greystone, seus corredores fétidos, brigando com os ecos da alma, agitando-se e rolando e balançando no banco de solidão à meia-noite dos domínios de mausoléu druídico do amor, o sonho da vida um pesadelo, corpos transformados em pedras tão pesadas quanto a lua, com a mãe finalmente ****** e o último livro fantástico atirado pela janela do cortiço e a última porta fechada às 4 da madrugada e o último telefone arremessado contra a parede em resposta e o último quarto mobiliado esvaziado até a última peça de mobília mental, uma rosa de papel amarelo retorcida num cabide de arame do armário e até mesmo isso imaginário, nada mais que um bocadinho esperançoso de alucinação — ah, Carl, enquanto você não estiver a salvo eu não estarei a salvo e agora você está inteiramente mergulhado no caldo animal total do tempo — e que por isso correram pelas ruas geladas obcecados por um súbito clarão da alquimia do uso da elipse do catálogo do metro &amp; do plano vibratório que sonharam e abriram brechas encamadas no Tempo &amp; Espaço através de imagens justapostas e capturaram o arranjo da alma entre 2 imagens visuais e reuniram os verbos elementares e juntaram o substantivo e o choque de consciência saltando numa sensação de Pater Omnipotens Aeterni Deus, para recriar a sintaxe e a medida da pobre prosa humana e ficaram parados à sua frente, mudos e inteligentes e trêmulos de vergonha, rejeitados todavia expondo a alma para conformar-se ao ritmo do pensamento na sua cabeça nua e infinita, o vagabundo louco e Beat angelical no Tempo, desconhecido mas mesmo assim deixando aqui o que houver para ser dito no tempo após a morte, e se reergueram reencarnados na roupagem fantasmagórica do jazz no espectro de trompa dourada da banda musical e fizeram soar o sofrimento da mente nua da América pelo amor num grito de saxofone de eli eli lama lama sabactani que fez com que as cidades tremessem até seu último rádio, com o coração absoluto do poema da vida arrancado para fora dos seus corpos bom para comer por mais mil anos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-extra/'>Capítulo Extra</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/314/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/314/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/314/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=314&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Kerouac Vs Thoreau</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Feb 2011 17:13:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 36]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Século XIX]]></category>

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		<description><![CDATA[O texto que segue é uma ferrovia. Tentei não subestimar Saturno, mas uni ao menos cinco temporadas da minha vida, mas não de forma CRONOlógica. Comecei o redemoinho caótico quando lia &#8220;Walden&#8221; e frequentava o colegial em Lowell . Eu<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=305&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>O texto que segue é uma ferrovia</em>. <em>Tentei não subestimar Saturno, mas uni ao menos cinco temporadas da minha vida, mas não de forma CRONOlógica. Comecei o redemoinho caótico quando lia &#8220;Walden&#8221; e frequentava o colegial em Lowell </em>. <em>Eu e meu saudoso Sampas discutíamos Thoreau no caminho de volta para casa. Por vezes, próximo ao lixão, criávamos pensamento de futuro inspirados no coração forjado de auto-suficiência e sabedoria. Já em Columbia, pensamentos soltos e uma noite inspirada me garantiram 15 anos sem tocar no assunto. Dez anos mais tarde de novo e, agora, em meio a toda essa revolução da &#8220;liberdade&#8221;, escrevo aqui. Porém, ao invés de um texto subjetivo e cheio de conceitos filosóficos, preferi sustentar minha tese de que a sociedade e o homem não são compatíveis (até esse momento), criando um personagem que sou eu e é vários. A liberdade é criativa e reativa!</em></p>
<p style="text-align:justify;">Fui para os bosques viver de livre vontade,</p>
<p style="text-align:justify;">Para sugar todo o tutano da vida…</p>
<p style="text-align:justify;">Para aniquilar tudo o que não era vida,</p>
<p style="text-align:justify;">E para, quando morrer, não descobrir que não vivi!</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Henry Davi Thoreau</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em><a href="http://jackerouac.files.wordpress.com/2011/02/thoreaus.jpg"></a><a href="http://jackerouac.files.wordpress.com/2011/02/thoreaus1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-310" title="thoreaus" src="http://jackerouac.files.wordpress.com/2011/02/thoreaus1.jpg?w=710" alt=""   /></a><br />
</em>Morava num vale um tal John Saltador. Ele havia perdido as esperanças na palavra e agora caminhava solitário entre as árvores e o riacho. Sua ordem era tão silenciosa que quem observasse o matuto, acreditaria que andava sobre as águas sem fazer barulho, sem remexer a vida que dali emergia e pra ali voltava. O Saltador passava dias sem emitir sons sociáveis, pelo menos entre os homens. Assovios, gritos e grunhidos, essa era a linguagem que abrigava sua vida silvícola. Acordava antes do sol, preparava sua nutrição com raízes e sementes. Colhia a água e verificava o pomar. Voltava das árvores com uma cesta de frutas da qual uma parte se destinava para dividir com pássaros, passarinhos e outros insetos e animais que quisessem. Assistia do alto das árvores a alvorada na companhia de cantos dos mais variados tipos. Dependurado, observando o horizonte com uma rádio orgânica e particular tocando em sua volta, em seu íntimo, agradecia à natureza pela oportunidade de seus olhos contemplarem tal verdade absoluta. Compreendia que o fenômeno não estava simplesmente no fato de estar ali, mas na possibilidade real de ser obrigado a ter a vida que a igreja, a comunidade, o juiz, o rádio e o político quiseram para ele e para todos. Que os vizinhos, a família, seus amigos, a vida, que todos querem para o outro e talvez, nem tanto para si. &#8220;Obrigado criação, obrigado pelos olhos que permitem receber timidamente a energia que nos envolve! Obrigado pela sabedoria e a clareza da vida simples. Mas, dai-me flexibilidade e liberdade para romper comigo mesmo e quebrar os vasos necessários para o amanhã&#8221;. Ouvia sua própria voz como se fosse também a de um velho índio, anterior mesmo à chegada dos colonizadores, uma entidade americana.</p>
<p style="text-align:justify;">John Saltador nasceu no Colorado, em uma cidade distante 200 milhas de Denver. Trabalhou na prensa até os 18 anos. Fazia serviços gráficos enquanto se encantava com as notícias. Queria poder estar perto daquilo que acontecia. Não se decidia entre Los Angeles ou Nova York. Denver estava no meio, um entre-lugar, uma estadia, passagem. Ali não havia fato, tudo era composto pela verdade política. Estudou os maiores pensadores por conta própria e escolheu pela profissão de jornalista. Sua posição radical lhe tirou oportunidades, mas lhe trouxe a maior de todas: New York Times! Tudo aconteceu por que decidiu fazer um jornal por conta própria. Imprimia na gráfica em que trabalhava e saltava os jardins pregando a notícia na porta das principais casas da cidade. Sentia-se o portador da justiça, um mártir da inquisição, agora à mando da rainha liberdade, pregando cotidianamente a conduta livre e consciente como a possibilidade de justiça e júbilo. Mas fazia isso no interior. E quando se mexe em ratoeira de vila, o senhor manda a garrucha pegar fogo. Suas palavras eram tão verdadeiras que irritou do clérigo ao judeu, do marceneiro ao industrial. Nem os colunistas sociais escaparam e as frases também se direcionavam para as senhoras pudicas da sociedade que prendiam suas filhas e tinham medo de seus maridos. Em um pulo, foi pego com as cartas na manga e passou o que o diabo amassou. Seus pais se sentiram traídos, John sabia que o patrão de seu velho não iria gostar nada do que estava acontecendo, muito menos Martint, o padeiro que aliviava as contas no fim do mês. John caíu e estava sendo preparado para o linchamento público quando um repórter da grande maçã, passando pela cidade, resolveu saber o que estava acontecendo.</p>
<p style="text-align:justify;">Desceu do carro e o fotógrafo o acompanhou. Aproximou-se de uma garota de vestidos verdes e chapéu e perguntou o que estava acontecendo na praça:</p>
<p style="text-align:justify;">- Vão bater no Saltador.</p>
<p style="text-align:justify;">- Ann, um ladrão?</p>
<p style="text-align:justify;">- Rá, ela ri, quem sabe um Robin-Hood? Os donos da cidade estão putos por que ele diz o que realmente acontece. Como assim, perguntou o repórter. O John salta os muros das casas e coloca em primeira mão a edição do &#8220;Prawda&#8221; que criou por que ninguém quis ele trabalhando em jornais da cidade. Dizem que ele é comunista.</p>
<p style="text-align:justify;">- E o que você acha disso?</p>
<p style="text-align:justify;">- Eu não sonho em casar com ele, mas seria uma honra vê-lo escapar dessa arruaça. Acho que o John é um cara de capital, aqui ele nunca vai ter lugar, mas quem sabe onde confiem nele?</p>
<p style="text-align:justify;">E assim foi, o jornalista apresentou seu crachá e o fotógrafo balançou a câmera. A ira da comuna ficou branda e ele pode conversar com o acusado. Seu esculacho não era coisa de justiça constitucional, era pelas mãos das crias e dos comparsas daqueles que se sentiam envergonhados e vaidosos com essa quebra de controle e poder. Precisavam colocar os pingos nos &#8220;is&#8221;. No fim das contas, naquele dia de enforcamento, o enforcado acabou tomando café na casa do carrasco. A providência do repórter gerou sentimentos paternos, algumas broncas e passadas de lição, mas nada que o prejudicasse tanto. Depois, foram no carro para Nova York. O jornalista queria que todos conhecessem o homem-jornal, aquele que conseguira movimentar uma cidade através de uma simples folha de papel com nome de panfleto russo.</p>
<p style="text-align:justify;">John tentou se reservar, mas um monte de flashs e perguntas invadiram sua essência e isso fez com que o garoto achasse que sua altura tinha aumentado. Na vaidade, despertou suas armas contra os patrões hipócritas da América. Ganhou uma coluna e tudo que dizia enchia a redação de cartaz e telefonemas, muitas vezes recheados com ameaças de morte. Em uma correspondência, uma bomba não disparou por sorte. Mesmo assim, o filho do Colorado não temia a ninguém, estava na terra da liberdade. Quando não procurava temas conflitantes nas ruas, passeava com a garota de vestido verde pelas ruas de Manhattan. Curtia entrar em clubes negros e ouvir o melhor do beebop. Havia adquirido um hábito saudável de viver bem no meio da metrópole.</p>
<p style="text-align:justify;">Com o tempo, a lua-de-mel com a cidade foi chegando ao fim. Por inveja, colegas tramaram notícias falsas e outras muito verdadeiras envolvendo pessoas da pesada e isso fez tombar de novo o velho saltador. Agarrou-se ao relacionamento com sua conterrânea, uma forma de se libertar da nova realidade cinza e seca da cidade do dinheiro e da vaidade. No banco, seu crédito acabou. Na redação, todos tinham receio de manter contato. Sua única amiga era a própria Burroughs, uma estridente carnificina social cometida a cada linha. Para deixar as coisas menos ácidas, Saltador foi designado para trabalhos no exterior. Assim, tiravam ele da reta e da rota e depois, com ele criticando ferozmente qualquer tipo de ditadura ou repressão seja ela bélica, poética ou social, seria fácil criar manchetes internacionais. Os Estados Unidos é um conjunto de nações de indivíduos e companhias, cada um trabalha por si, trabalhando por todos. A cada conquista, seja ela escrita ou filmada, o estado americano toma para si e como se seu  fosse. Desta forma, o jornal ganharia apoio de políticos e empresas e seus executivos ficariam mais ricos e poderiam comprar ações de empresas que exploram países pobres retratados como bárbaros e necessitados de ajuda.</p>
<p style="text-align:justify;">John Saltador carregou seu inglês como o portador da liberdade. Entoou a América e seus exemplos de expressão encantaram alguns líderes. Ficou amigo de guias e incentivou o estudo nas aldeias.  Seus textos se tornaram conhecidos internacionalmente e foi um dos primeiros a dizer sobre a Palestina acossada pela trama judaico-anglo-saxão. Denunciou o abuso militar na Coréia e recriminou o que chamava de &#8220;Teatro da Informação&#8221;. Inflamou-se diversas vezes afirmando que pessoas interessadas em projetos militares e industriais implantavam falsas notícias e até forjavam fontes para que interesses fossem concedidos ou passados desapercebidos no noticiário. Dizem que é uma tendências dessa década.</p>
<p style="text-align:justify;">Há cinco anos recebeu um telegrama enquanto perambulava pela África. Diziam inclusive que encontrou com o líder argentino  e  um colega francês, Debret, em uma experiência de guerrilha anti-imperial no Congo. Era o governo americano o convocando para uma condecoração federal em cinco dias. A passagem estava comprada e reservada para dali dois dias. Sua percepção paranóica o fez acreditar que era um plano para tirá-lo de circulação. Definitivamente em desacordo, queria acompanhar o desenrolar da guerra civil e não iria embora a menos que todas as formas de liberdade estivem tomadas. Tinha seu plano de evasão pela própria savana. Há alguns meses estudava rotas em eventuais situações de risco excessivo. Todavia, antes de responder, iria consultar sua mulher sobre o que ela acharia. Sara era sempre a favor que ele estivesse na América, porém John sabia quando ela estava falando por si e quando falava por ele. Sua voz mudava e mesmo ela não percebendo, Saltador sabia que um conselho para seguir de verdade.</p>
<p style="text-align:justify;">- Meu John, venha para nós, vai ser muito importante. Todos estarão lá, mesmo os que trataram você como um lixo.</p>
<p style="text-align:justify;">- Não Sarah, não posso deixar o povo aqui sem ninguém que leve ao ocidente a verdade. Os Estados Unidos não podem me calar.</p>
<p style="text-align:justify;">- Deixe de ser utópico Saltador! O Edward disse para ficar quieta, mas essa condecoração é uma forma de trazer você de volta antes que a bomba estoure. O levante já dominou Mag e em poucos dias não haverá como sair daí. Vem pra casa!</p>
<p style="text-align:justify;">- Não posso!</p>
<p style="text-align:justify;">- Vem, estou grávida!</p>
<p style="text-align:justify;">Sem pensar muito, John saltou do meio do continente africano e em pouco tempo já estava nos braços de sua amada. Sarah já havia tentado engravidar algumas vezes, mas nunca obtivera sucesso. Sua idade já estava avançada para o primeiro filho, porém esse era o sonho do casal. A situação e o seu apelo à vaidade, contribuíram para seu ritmo diminuir e logo depois da condecoração, por coincidência. Apreciava ficar pensando no quanto liberta seria uma criança no mundo. Acompanhou o crescimento da barriga e vivia um sonho. Seu discurso inflamado aparecia de vez em quando e cada vez pedia perigosamente para um discurso conservador, unindo à verdade, o casamento e o amor familiar.</p>
<p style="text-align:justify;">Por obra do acaso, Saltador foi realocado para a seção de crimes e violência. A diretoria confiava que suas palavras poderiam ter efeito sobre os jovens e os pais também concordariam. Escrevia sobre a possibilidade de no futuro as ruas estarem tomadas por câmeras vigiando a violência e a vida íntima das pessoas. Isso ocorreria se as pessoas não parassem de desejar a cascata infinita de ouro. Suas palavras à esquerda davam um ar fantasiado ao que realmente importa para os americanos: liberdade para consumir. John funcionava como uma espécie de humorista místico especialista em geopolítica e teoria da conspiração. Isso divertia algumas pessoas. Em uma pesquisa sobre delegacias de polícia, apresentou-se como repórter e teve acesso ao delegado. Iniciou uma conversa trivial e informou que seu foco era sobre &#8220;pessoas presas por engano&#8221;. O delegado, sentindo-se ofendido, acabou derrubando uma pilha de pastas em sua mesa. John prontamente se ofereceu para catá-los. Quando abaixou viu um envelope e lhe veio uma sensação horripilante de náuseas. No papel pardo, seu nome. <em>John Elliot, vulgo Saltador</em>. Surpreendido e sem saber o que dizer, apoderou-se do documento e levou consigo. Mais tarde, em liberdade, abriu para ver seu conteúdo. Eram fotos de sua esposa na companhia de homens vestidos como federais. Em outra, Sarah aparece falando ao telefone. Ao ver a foto, John se familiarizou com a cena, porém a mesma náusea arrepiou seu espírito. Imaginou que era ele que estava do outro lado da linha, mas encheu os olhos d água ao reparar o homem que caminhava no canto do quarto. Alto, com a mão no queixo, como se interessasse pelo o que Sarah falava ao telefone.</p>
<p style="text-align:justify;">Seu instinto elevou sua preocupação e até duvidou da paternidade da criança. A noite em casa tentou entrar no assunto de forma simples, mas Sarah parecia preparada para a situação. Entrou em crise e assustou a companheira. Na manhã seguinte, deu a entender que sairia para o trabalho, mas se escondeu no escritório. Por azar, ali o fio de Ariadne se desenrolou. Sarah foi ao telefone reclamar com uma outra pessoa sobre a desconfiança do marido. John percebeu o carinho com que tratava o interlocutor e sua tristeza foi maior quando conversaram sobre a criança e sobre o fato de John não ligar para que o bebê se chame Phillipe, tal qual o pai daquele que estava no outro lado da linha. Sem revelar sua consciência, Saltador saiu de casa e percorreu as ruas sentindo a dor no espírito. Os olhos tentavam em vão segurar as lágrimas e a boca se contorcia. Com mais duas ou três vasculhadas descobriu toda a trama. E ali percebeu que a liberdade oferecida, realmente era uma liberdade vigiada. Havia muitos olhos e interesses por cada passo na sociedade. As pessoas geralmente eram interesseiras e raramente estavam sendo espontâneas. O motivo da condecoração era realmente tirá-lo da rota de notícias sobre a exploração de pessoas na pesquisa de medicamentos e na extração de petróleo. Suas matérias comprometeriam interesses reais de estado. Todavia, antes mesmo dessa possibilidade ser implementada, o agente especial do governo Daniel P. Thomas já se encarregara de seduzir Sarah Elliot. Com o tempo, as informações se tornaram carinho e logo amor. Como sabiam do sonho de John em ter um filho, combinaram não se cuidar. Assim, com dois trunfos, tiraram o jornalista do fronte e da sociedade. Sem dizer muito, datilografou alguns parágrafos, foi à prensa do NYT e pediu autorização para uma tiragem. Obteve. No dia seguinte, as ruas amanheceram com seus postes decorados com uma folha simples de papel com palavras um tanto quanto pesadas. Desde então, ele procura se descobrir no silencia, pois se descobrir é poder avaliar o que é liberdade, o que é real, o que é liberdade real. Ele queria apenas se libertar da vontade de ser livre e viver numa vida de entendimento e verdade.</p>
<p style="text-align:justify;">Segue um extrato, muito se perdeu:</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;A vida é política. Agora vou criar o meu partido. Ele vai se chamar EU. Quem quiser que me acompanhe, irei para uma floresta de EUs, onde o mundo é sozinho e silencioso. Porém, não serei óbvio de furtar-me do mundo, com o tempo a minha política vai ser de novo a vida. Por enquanto, quero estar longe de qualquer um para refletir no espelho que brota livre no mato, onde converso com quem canta pra mim. A cidade é o homem da cidade, cinza, sem coração, racional, com cores artificiais&#8221;.</p>
<h6 style="text-align:justify;">Este encontro foi uma sugestão do Gian Martins!</h6>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-36/'>Capítulo 36</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/305/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=305&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Kerouac vs o Passado</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Dec 2010 03:03:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>J P de Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 35]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[ilusão]]></category>
		<category><![CDATA[O passado]]></category>

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		<description><![CDATA[A gente acha que conhece uma mulher pelas palavras que ela diz, pelos olhos que brilham quando você sorri e pelos sussurros na trepada. Mas tudo isso não passa de uma impressão machista e ocidental. Não sei, mas tenho a<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=301&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">A gente acha que conhece uma mulher pelas palavras que ela diz, pelos olhos que brilham quando você sorri e pelos sussurros na trepada. Mas tudo isso não passa de uma impressão machista e ocidental. Não sei, mas tenho a ideia de que reparam as coisas com um outro olhar, de um outro lugar. A maioria do que achamos ser o que dá tesão, talvez seja detalhe que acrescenta e não necessariamente, decida uma escolha.</p>
<p style="text-align:justify;">Em uma noite regada a vinho, erva e muitas outros paraísos, quando nossos amigos se apresentaram em um festival na praia e eu tinha a exclusividade de um bangalõ para saciar minha sede de sexo e alucinação, minha vara de condão resolveu não encontrar a lua. Fiquei obssessivo e obscecado pelas forças naturais terem me feito falhar com a deusa da primavera que visitava minha cama. Ela dormia de certa forma saciada, porém intrigada com minha reação raivosa diante a inatividade de meu ex-melhor amigo. Fiquei o resto do dia me tocando na esperança de que algo reagisse e eu a surpreendesse com o melhor sexo de todos os tempos.</p>
<p style="text-align:justify;">Apesar de tentar,  meus galhos não deram flores nessa estação. Perdi a moça e a estima. Precisava de um amor e isto estava claro. Gostaria muito que fosse um amor beat, que viesse das ruas, que curtisse o beebop e amasse galerias de arte e saraus. Pois, apesar de ser de saco cheio de poses artísticas, eu curto mesmo coisas densas, coisas mal-feitas, mas realizadas, acionadas pelo autor, com sua expressão ou pelo admirador com seu amor.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma vez recebi uma carta. Uma mulher de Lowell me parabenizando pelo livro  &#8211; o único que foi publicado. Conhecia sua família, conhecia sua história. Ela era uma das personagens da minha trama. Era a irmã do melhor amigo de um dos meus alter-egos. No verão deste ano, resolvi dar uma volta na velha e pacata cidade da minha infância. Passei pelo rio, passei pelas velhas fábricas abandonadas, pelos vidros da prefeitura, pelo campo de futebol da escola e pela irmã do meu melhor amigo, morto aos 18 anos.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela sempre fora um ano mais nova que todos nós. Era a mais bonita e esperta de todas. Nenhum menino conseguia ver sua calcinha e tinha um apreço muito interessante pela vida natural. Adorava se banhar nua na lagoa Houston. Hoje, temos 10, 12 anos a mais do quando nos vimos pela última vez. Sou um homem de 34 anos e ela tem 33. Já passamos por várias experiências e algumas foram juntos, como a morte de nosso irmão. Porém, nada me tiraria da cabeça que ela era a grande mulher da minha vida. Aquela que havia escolhido para ser minha Julieta. Uma pena eu não ter colhão para interromper o trem e paralisar o meu amor aqui mesmo, em Lowell. Só assim, nessa vida me será permitido viver o amor antes de qualquer outra ilusão que a sociedade dos homens sérios e corretos irá me oferecer.</p>
<p style="text-align:justify;">Há dois meses parti de Lowell, voltei à estrada, estou em Nova York e sigo nas ondas de Charlie Parker &#8211; que Deus o tenha!</p>
<br />Filed under: <a href='http://jackerouac.com/category/capitulo-35/'>Capítulo 35</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jackerouac.wordpress.com/301/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jackerouac.wordpress.com/301/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jackerouac.wordpress.com/301/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jackerouac.wordpress.com/301/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jackerouac.wordpress.com/301/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jackerouac.wordpress.com/301/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jackerouac.wordpress.com/301/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jackerouac.wordpress.com/301/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jackerouac.wordpress.com/301/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jackerouac.wordpress.com/301/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jackerouac.wordpress.com/301/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jackerouac.wordpress.com/301/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jackerouac.wordpress.com/301/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jackerouac.wordpress.com/301/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jackerouac.com&amp;blog=10128905&amp;post=301&amp;subd=jackerouac&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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