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A série de encontros “Versus”  faz parte do projeto Let it Beatnik, uma tentativa de ampliar  o resgate do espírito beatnik, muito além dos estereótipos midiáticos e temporais.

Os textos começaram a ser escritos em 2008 e hoje, abarcam cerca de 55 contos em primeira pessoa, como se as ideias e concepções saíssem da própria escrita de Kerouac. Nesta série de “encontros”,  Jack Kerouac – o personagem, relata seu envolvimento subjetivo, onírico ou mesmo racional com avatares da cultura libertária e criativa da “geração perdida”, dos existencialistas franceses, dos poetas, artistas, homens e mulheres marginalizados, pobres ou amantes e adoradores do jazz e das artes; das experimentações, dos jovens que vieram com uma nova mensagem no Pós-Guerra e outros tantos, de todos os tempos, mas que marcaram a cultura global no compasso do beatífico, como Kerouac pode visualizar em determinados momentos iluminados de sua trajetória.

Versus é atemporal, não seguindo racionalmente uma ordem cronológica que date sistematicamente os encontros. Seu agrupamento se realiza de forma espontânea, surgindo a cada capítulo uma nova emoção supostamente vivida pelo personagem e autor. A série é baseada em pesquisas nos livros, nas biografias de Kerouac, em seus diários, nos jornais da época e por outras fontes atuais como Claudio Willer e o ilustrador João Pinheiro. A procura também se faz em relação aos co-participantes destes encontros; aos momentos históricos vividos em todo o globo nos cerca de 30 anos de carreira literária de Kerouac – por volta do início dos anos 1940 ao final da década de 1960, quando morre em 1969Versus trabalha sua narrativa de forma pessoal e subjetiva, tentando induzir o leitor a crer ao menos um envolvimento de Kerouac no texto. Ou pelo menos, que o interlocutor tenha em mente ter lido algo parecido nas traduções e frases do beatnik. Obviamente, a qualidade do trabalho não deve ser concebida em função de uma possível fidelidade estilística, mas sim na possibilidade gerada por vários fatores – tecnológicos, comunicacionais, geopolíticos, artísticos, que permitiram que Jack voltasse de sua morte subterrânea e fosse resgatado sobre um novo ângulo, de um fã, de uma alma co-irmã que reconhece em suas palavras e suas ações uma mediação essencial ao próprio espírito e motivação existencial de conduta na Terra.

Por mais que também seja bastante escroto falar pelos mortos!

João Paulo de Oliveira – jp@joaopaulodeoliveira.com

joao pinheiro

Por João Pinheiro